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domingo, 3 de maio de 2026

Fazendeiro é assassinado e polícia prende irmão acusado do crime

24/12/2002 10h31 – Atualizado em 24/12/2002 10h31

O fazendeiro Quintino Francisco Facci, pertencente a uma das mais tradicionais e ricas famílias da região de Ribeirão Preto (314 km de SP), foi assassinado em Jardinópolis (334 km de SP) com sete tiros. O mandante do crime foi, segundo a polícia, um de seus irmãos, Quintino Antônio Facci, preso anteontem à noite.

O corpo foi encontrado amarrado a uma árvore no último sábado com perfurações nas costas, na face e na cabeça. Devido ao estado do corpo, não houve velório. Antônio Facci negou para a polícia participação no caso.

O objetivo do crime seria ficar com a herança da família, dona de pelo menos sete fazendas na região e cerca de 6.000 terrenos somente em Ribeirão Preto. Quintino Facci, 92, pai de ambos, deu o nome a dois bairros da cidade.

“Ele queria eliminar todos os irmãos e ficar com a herança da mãe, [Hilda Facci, morta há dois anos]. Ele já havia ameaçado os irmãos”, afirmou Marco Meireles, cunhado de Antônio. O valor do espólio não foi revelado.

O crime vinha sendo planejado há algumas semanas, segundo a polícia. Antônio teria contratado por R$ 15 mil um grupo de matadores de aluguel para matar o irmão. “Foi tudo bem planejado”, disse o delegado Odacir Cesário da Silva, titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais).

Na última sexta-feira, um funcionário de uma das fazendas de Francisco, Eduardo Borges, teria marcado um encontro com o patrão na fazenda Galharda, em Jardinópolis, para tratar de negócios.

Antes de chegar ao local do encontro, no entanto, Francisco Facci teria sido rendido em sua camionete por dois homens armados com um revólver calibre 38, sobre uma pequena ponte no córrego Matadouro.

Francisco foi espancado no olho direito, havia uma grande mancha roxa e logo em seguida morto com sete tiros.

Em seguida, ainda de acordo com a polícia, os três homens arrastaram o corpo por cerca de 30 metros rio abaixo e o amarraram no galho de uma árvore sobre a água. Para a polícia, o objetivo era que o corpo não fosse levado pela correnteza até o rio Pardo, onde ele desemboca.

“Eles pensaram que ninguém jamais conseguiria localizar o corpo naquele local”, disse um investigador da delegacia de Jardinópolis que não quis se identificar.

Somente a cabeça de Francisco ficou fora da água. No sábado, por volta das 13h30, um pescador avistou o corpo.

Borges foi ouvido anteontem e confessou o crime, segundo a polícia. De acordo com o depoimento, para matar o irmão, Antônio contratou João Batista Reis Filho, foragido da cadeia de Ribeirão das Neves (MG), onde foi condenado a 17 anos por homicídio.

Antônio, Borges e Reis Filho foram encaminhados para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Ribeirão Preto. O crime teria tido ainda a participação de outras duas pessoas, não identificadas, e que estão foragidas.

Os presos foram autuados em flagrante por homicídio doloso (com intenção de matar) qualificado. A pena varia de 12 a 30 anos de prisão. O inquérito policial deve ser concluído até a próxima semana e enviado ao Ministério Público, que decide se denuncia ou não o fazendeiro à Justiça.

Segundo o delegado, o plano inicial de Antônio era matar em uma emboscada Francisco e seu outro irmão, Quintino José Facci. Depois, o fazendeiro teria decidido matar José no início de 2003. Francisco teria se tornado um “alvo prioritário” porque era muito querido pelo seu pai e, com isso, poderia receber herança maior.

Com exceção do cunhado, os demais membros da família Facci procurados pela Folha não quiseram comentar o fato.

Fonte: Folha Ribeirão

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