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domingo, 3 de maio de 2026

Líder indígena é nomeada ministra no Equador

30/12/2002 17h14 – Atualizado em 30/12/2002 17h14

O presidente eleito do Equador, Lucio Gutiérrez, nomeou hoje para o cargo de ministra de Relações Exteriores Nina Pacari, que será a primeira indígena a ocupar esse cargo em toda a história do país andino.

Pacari, ex-vice-presidente do Parlamento e deputada pelo movimento Pachakutik, braço político da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), é contrária à Alca e à presença de americanos na base aérea de Manta (oeste) para lutar contra o narcotráfico na região.

Ao apresentar Pacari, Gutiérrez esclareceu que será respeitado o acordo militar com Washington e disse que analisará a profundidade com que o Equador se integrará na Alca, que surge como uma ameaça, acrescentou em entrevista coletiva. “O fundamental é a preparação do país e a negociação do Equador. Nela teremos que fazer prevalecer o fato de que o país está em desenvolvimento e que temos uma economia dolarizada (desde 2000), o que é uma camisa de força”, declarou.

Pacari, vestida com traje indígena típico, qualificou a sua nomeação como um fato histórico. “É histórico para o Movimento Pachakutik e é histórico para os setores menos favorecidos”, disse na entrevista coletiva conjunta, garantindo que é fundamental desenvolver uma política migratória que traga “crescimento para o país, assim como uma política de integração econômica, cultural e política”.

“É necessário” – disse – “construir no plano internacional uma consolidação da democracia, partindo do Equador. Que não haja extremos, tem havido medo no país de que logo que os indígenas assumam se vá indianizar, mas acreditamos que o trabalho deste governo deve estar fundamento nos 12 milhões de equatorianos”.

Pacari, uma das fundadoras da Conaie, frisou que o acordo da Base de Manta será respeitado se não ultrapassar o estipulado e, caso contrário, o “governo terá que estudá-lo”. Com relação ao pedido de visto para os equatorianos na União Européia, Pacari disse que como chanceler “fará ouvir a voz do país”, mas não especificou os tipos de ação que serão adotados.

Por outro lado, o governante eleito, que assumirá o cargo no dia 15 de janeiro, nomeou o também indígena Luis Macas ministro da Agricultura e Gado. Macas, deputado andino eleito, ex-presidente da Conaie e ex-legislador, destacou a importância dos cuidados dispensados à nutrição e à saúde do povo.

Fonte: Agência EFE

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