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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Lula Presidente, uma história da realidade

31/12/2002 14h34 – Atualizado em 31/12/2002 14h34

Em outubro de 1945, em Vargem Grande, atual Caetés, numa família de pequenos lavradores, nasce Luiz Inácio da Silva (o apelido “Lula” só foi acrescentado ao nome em 1982). Sobre a data de nascimento, conta Lula: “Até hoje, é a maior polêmica. Porque meu pai me registrou dia 6 de outubro… Na verdade, eu prefiro acreditar na memória de minha mãe, que diz que eu nasci no dia 27”. Coincidência feliz: 57 anos depois, os dois turnos da eleição que decidiria o futuro presidente do Brasil aconteceriam nestes mesmos dias 6 e 27 de outubro.

Lula ainda era bebê quando o pai, Aristides, migra para trabalhar em São Paulo, na estiva do porto de Santos. No sertão de Pernambuco ficam a mulher, Dona Eurídice, e os oito filhos. Em 1952 é a vez da mãe, Lula e seus sete irmãos cumprirem o ritual de milhões de nordestinos. Numa viagem de 13 dias num pau-de-arara, migram para o Guarujá, no litoral paulista.

Em 1956, Lula, a mãe e os irmãos se mudam para a capital paulista, mas as condições de vida não melhoraram muito. Moram num quarto minúsculo nos fundos de um bar, na Vila Carioca. São anos de pobreza, mas felizes. Todos trabalham. Nas horas livres o menino Lula se diverte com brincadeiras de moleque: bolinha de gude, peão, pipa, guerra de mamona e muito futebol.

A Família

São vinte e oito anos de um casamento cuja história confunde-se a tal ponto com a do país que muitas vezes fica difícil enxergar fronteiras nesse condomínio de emoções familiares e nacionais. Não é força de expressão. Para Marisa Letícia Lula da Silva, 52 anos, esposa de Luiz Inácio Lula da Silva, 57, o candidato a presidente pela Coligação PT-PL-PCdoB-PC -PMN, a casa nunca foi apenas o refúgio familiar, mas também um ponto de intersecção de alguns dos fatos políticos mais importantes que mudariam a face do Brasil nas últimas três décadas. As greves do ABC, a repressão do regime militar, a luta pelas Diretas, a fundação do PT e as campanhas presidenciais do marido ganharam as ruas e viraram História, mas antes atravessaram a soleira da porta e transitaram pela sala e a cozinha de Marisa. Em 1975, com um ano de casamento, Lula chegou à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP). Três anos depois, começaria o ciclo histórico de greves no ABC paulista.

A política incorporou-se assim a sua vida como algo natural, quase uma extensão da rotina doméstica freqüentemente acomodada para abrir novos espaços à mesa do almoço, ou receber visitantes que desde os anos 70 passaram a ter na casa do líder metalúrgico um ponto de referência nacional. Lá estiveram senadores, deputados, vereadores, personalidades de todos os matizes. Alguns se incorporaram à família definitivamente. Frei Betto, por exemplo, cansou de dormir no chão da sala durante as greves metalúrgicas dos anos 78/80, designado especialmente pelo então Bispo de Santo André, Dom Cláudio Hummes, hoje arcebispo de São Paulo, para ajudar na segurança de Lula.

Consciência

Quando um homem não é corrupto, quando um homem só tem compromisso com a própria consciência, então, tudo fica mais fácil.

Energia

Nenhum país conseguiu se desenvolver sem investir em infra-estrutura. E, quando falo de infra-estrutura, falo de estradas, de portos, de aeroportos, mas, principalmente, de energia. A energia é fundamental para a agricultura, para a indústria, para o turismo. No entanto, o governo federal quis privatizar Furnas. Ou seja: quis vender o que tem, em vez de construir o que falta. Felizmente, milhares de brasileiros e brasileiras disseram “não” à privatização de Furnas. Porque a questão não é privatizar. O que nós temos que fazer é estabelecer parcerias com a iniciativa privada, a fim de construir e oferecer infra-estrutura – e, assim, atrair investimentos estrangeiros. O Brasil é um dos poucos países do mundo que pode, através das hidrelétricas, suprir não só as nossas necessidades atuais de energia, como também as nossas necessidades futuras. E é por isso que eu acho que o Estado brasileiro não deve abrir mão de produzir a energia de que o país necessita.

Agricultura familiar

A agricultura familiar é importante por diversas razões. Primeiro, porque ela significa uma ocupação soberana do solo brasileiro. Segundo, pela geração de empregos. Terceiro, pela manutenção das pessoas em sua terra natal. Quarto, pela melhoria da qualidade dos alimentos produzidos. Quinto, pela preservação ambiental.

Agricultura

Algumas pessoas, no Brasil, costumam criar uma dualidade entre a agricultura familiar e a agricultura empresarial, mecanizada, de produção em escala, como se uma coisa excluísse a outra. Mas elas não se excluem. A agricultura familiar e a agricultura empresarial não são antagônicas entre si. São complementares. O Brasil, hoje, é o maior exportador mundial de suco de laranja. Entretanto, se cada brasileiro pudesse tomar, diariamente, um copo de suco de laranja, nós não teríamos uma gota de suco para exportar. E eu fico imaginando o seguinte: no dia em que o brasileiro puder comer carne, puder comer fruta, comer verdura, nós vamos ter que triplicar a nossa produção de alimentos. Por isso é que a agricultura familiar não é incompatível com a agricultura empresarial. O que nós temos que ter em conta é que o Brasil precisa de reservas em dólares – e que, portanto, precisa produzir para a exportação – e, ao mesmo tempo, pode duplicar o que produz, para atender ao mercado interno, de modo que o nosso povo possa comer as coisas que nós mesmos produzimos. E esta é a razão que me faz pensar que a agricultura familiar é um dos pólos da geração de empregos e da qualidade de vida para importantes parcelas do povo brasileiro.

Fome

Não faz sentido que, num país com tanta terra fértil como o Brasil, ainda exista tanta gente com fome. O Brasil é um país onde poderia faltar tudo, menos comida.

Seca no Nordeste

A gente tem que achar uma saída para o Nordeste brasileiro. Não podemos levar a sério políticos que dizem que vão acabar com a seca. A seca está para o Nordeste assim como a neve está para o Canadá. Ninguém nunca ouviu um governante do Canadá dizer que vai acabar com a neve. Porque isso é impossível. A neve e a seca são fenômenos da natureza, e você não pode acabar com fenômenos da natureza. Então, temos que ter políticas de convivência com a seca, assim como os canadenses têm políticas de convivência com a neve.

Empregos

A cada real aplicado, um novo emprego criado. Este deve ser o lema de um Brasil novo.

Povo brasileiro

Minha mãe dava um duro danado. Arrumava as camas, lavava as roupas, cozinhava, preparava comida pra gente vender na rua. E ainda tinha alegria. Isso é que era incrível: ainda tinha alegria, muita alegria. E foi viajando pelo Nordeste, na caravana da cidadania, que eu fui entender a alegria e o otimismo de minha mãe. Você conversa com um sertanejo, às vezes ele está até passando fome, há três dias sem comer, mas ele está com a cabeça erguida – e acha que tudo tem jeito, que tudo pode mudar. Eu fico impressionado. É uma espécie de profissão de fé. Uma profissão de fé na vida. Você pergunta pra ele “como é que é, companheiro, vamos melhorar?”. E ele responde: “Se Deus quiser, vamos melhorar. Tenho fé que vai melhorar”. Então, eu fico pensando: com um povo desses, é claro que esse país tem jeito. Eu estou convencido disso. Tenho a mais absoluta certeza de que, com um povo como é o povo brasileiro, a gente pode fazer do Brasil a nação com que a gente sempre sonhou.

Fonte: Retirado do site http://www.lula.org.br

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