03/01/2003 08h57 – Atualizado em 03/01/2003 08h57
Alunos de escolas israelenses estão sendo preparados para agir no caso de um ataque iraquiano, se os Estados Unidos iniciarem uma nova guerra no golfo Pérsico.
Soldados israelenses têm visitado as salas de aula no país para familiarizar as crianças com a proteção necessária na eventualidade de um ataque químico ou biológico.
“As crianças têm a oportunidade de praticar com os kits de máscaras de gás mostrados nas escolas e depois podem ir para casa e ensinar aos pais e avós”, disse Bilha Noy, chefe do departamento de psicologia e aconselhamento do Ministério da Educação de Israel.
Na Guerra do Golfo, em 1991, o Iraque lançou 39 mísseis Scud contra Israel, em resposta ao ataque norte-americano, causando danos materiais aos prédios, mas apenas uma morte.
Nos jardins de infância, as máscaras são colocadas no meio dos brinquedos para que as crianças se familiarizem com elas, mas apenas os professores estão sendo treinados a usá-las.
“Para mim, é assustador”, declarou Neta, 10. “E, quando nos explicaram como usar a máscara de gás, fiquei ainda mais assustada. É tão difícil de colocar e também há o antídoto e você precisa estar em um local fechado.”
Segundo Noy, o medo é algo natural e esperado.
“Nosso objetivo não é confortar as pessoas, mas dizer que realmente é assustador, mas que, se as instruções forem seguidas, as chances de sobreviver são maiores”, afirmou Noy.
Ameaça
No subúrbio de Ramat Gan, em Tel Aviv, onde os prédios foram diretamente atingidos em 1991 e cerca de 90 pessoas ficaram feridas, os moradores disseram que não ficarão parados desta vez no caso de uma nova guerra.
No entanto, Danny Brom, diretor do Centro Israelense de Tratamento de Psicotrauma, disse que para a maioria dos israelenses a ameaça de atentados suicidas devido ao levante palestino parece muito mais real -pelo menos por enquanto- do que um ataque de mísseis iraquianos.
“O nível de tensão tem sido tão grande e por tanto tempo que para muitas pessoas a situação atual ainda é algo teórico”, declarou Brom.
Dezenas de israelenses foram mortos em atentados suicidas desde setembro de 2000, quando começou a Intifada (levante palestino contra a ocupação israelense).
Para se defender de um possível ataque iraquiano, Israel desenvolveu o sistema antimísseis balísticos Arrow, cujo custo foi de US$ 2,2 bilhões. O sistema foi projetado para detectar, localizar e destruir mísseis a mais de 50 quilômetros de altitude.
O sistema antiaéreo norte-americano Patriot, que não foi muito bem-sucedido em 1991, foi melhorado.
Desde a Guerra do Golfo, o Exército israelense tem distribuído máscaras de gás em centros localizados em shopping centers e prédios públicos.
Fonte: Reuters




