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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Camada de gelo da Antártica pode derreter em 7.000 anos

06/01/2003 09h48 – Atualizado em 06/01/2003 09h48

WASHINGTON – Uma nova pesquisa, publicada na última edição da revista Science, alerta que a camada de gelo da Antártica poderá derreter dentro de sete mil anos, devido a um processo natural de degelo. Isso poderia elevar o nível do mar em quase 5,5 metros.

Os autores do estudo dizem que medições geoquímicas de rochas realizadas nos lados das montanhas que ficaram livres do gelo perto do Pólo Sul mostram que a camada do oeste da Antártica começou a derreter há cerca de 10 mil anos e que continua encolhendo.

“Houve um derretimento gradual e contínuo”, disse John O. Stone, principal autor do estudo e professor de geologia da Universidade de Washington em Seattle. Ao longo de milhares de anos, segundo ele, o gelo diminuiu em cerca de 5,5 centímetros por ano, em um padrão que não apresenta sinais de contenção.

Se a camada derreter inteiramente, acrescentou, o nível global do mar poderá subir cerca de 5,5 metros, o suficiente para inundar algumas ilhas e áreas costeiras.

“Se esse nível de derretimento persistir por sete mil anos, o índice de mudança é algo a que os humanos terão que se acostumar”, avaliou. “O problema real é que há lugares no mundo em que um aumento de 11 centímetros ao longo de poucas décadas seria uma preocupação bastante séria, devido a tempestades e marés”.

“Nossas medições sugerem um índice fixo de derretimento, mas não podemos determinar acontecimentos rápidos”, concluiu.

Stone salientou que o estudo não pode provar ou refutar qualquer efeito sobre o derretimento devido ao aquecimento global, um aumento gradual nas temperaturas que alguns consideram que tenha sido acelerado pela queima de combustíveis fósseis.

Em vez disso, segundo ele, os pesquisadores mediram aquilo que aparentemente é um ciclo natural de formação e derretimento de gelo que pode estar em andamento há milhões de anos.

O relógio começa a bater

Robert P. Ackert Jr., do Instituto Oceanográfico Woods Hole, disse que o estudo estabelece uma tendência de derretimento natural contra a qual qualquer derretimento adicional causado pela influência humana sobre o clima pode ser medido.

“Se a humanidade não tiver capacidade para interromper esta tendência, o aquecimento causado pela atividade humana poderia acelerá-la”, alertou.

Stone e Gregory A. Balco, da Universidade de Washington, juntamente com pesquisadores de outras três instituições, mediram os isótopos químicos nas pedras recolhidas nas laterais das montanhas no oeste da Terra de Marie Byrd, na região da camada de gelo da Antártica Ocidental.

No auge da última era glacial, o gelo cobriu aquelas montanhas. Conforme o gelo derreteu e as geleiras diminuíram, pedras e rochas nas laterais das montanhas ficaram descobertas. Quando isso aconteceu, as rochas começaram a ser atingidas pelos raios cósmicos do espaço, alterando a química isotópica das rochas. Ao medir estes isótopos, os pesquisadores puderam determinar quando a rocha ficou livre do gelo.

“O relógio começa a bater quando o gelo derrete”, disse Stone.

Comparando os dados dos isótopos com a altitude de onde a rocha foi descoberta, os pesquisadores obtêm uma medida de quão rapidamente o gelo está derretendo.

Stone disse que as medições mostram que não houve alterações no índice de derretimento do gelo.

“Não vemos evidências de que isso parou”, observou. “O padrão que vemos é muito fixo e contínuo. Tivemos 10 mil anos de clima bem parecido com o que é hoje e a camada de gelo esteve diminuindo continuamente durante esse tempo”.

Stone disse que os pesquisadores ficaram assustados ao constatar que a camada de gelo na Antártica começou a diminuir mais ou menos ao mesmo tempo em que a maioria das montanhas de gelo formadas durante a última era glacial já tinha desaparecido do norte da Europa e da América do Norte.

Fonte: Associated Press

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