08/01/2003 10h12 – Atualizado em 08/01/2003 10h12
RIO – O cantor de pagode Marcelo Pires Vieira, o Belo, foi condenado nesta terça-feira em primeira instância a seis anos de prisão, em regime fechado, por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Segundo a sentença da juíza Ruth Viana, da 34ª Vara Criminal, Belo poderá aguardar em liberdade o julgamento do recurso que seus advogados vão impetrar. Belo estava respondendo pelo possível envolvimento com o traficante Valdir Ferreira, o Vado, chefe do tráfico da Favela do Jacarezinho. O Ministério Público recorreu da decisão por ter achado a pena muito pequena.
Gravações de telefonemas entre os dois mostraram o bandido pedindo R$ 11 mil ao cantor para completar o valor da compra de um “tecido fino”, que, segundo a polícia, significa maconha e cocaína. Belo, durante a conversa, autorizou o empréstimo e pediu um “tênis”, que seria um fuzil AR-15.
Segundo o advogado Rafael Mattos, o pagodeiro, que está no Rio, em sua casa no Recreio dos Bandeirantes, se apresentará à Justiça para ouvir a sentença. Ele soube nesta terça, junto da noiva, Viviane Araújo, da decisão e ficou abalado. A maior preocupação do cantor, de acordo com Mattos, foi saber se teria que voltar para a prisão. Em junho do ano passado, ele ficou 36 dias na carceragem da DAS no Leblon e só foi solto por decisão dos desembargadores da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, que concederam hábeas-corpus.
Os advogados Rafael Mattos, Ary Bergher, Remo Lainetti e Márcio Delambert, que defendem Belo, só podem entrar com o recurso contra a condenação depois que Belo for intimado, o que deverá ocorrer nos próximos dias. Segundo Bergher, o prazo para apresentar a apelação é de duas semanas após a intimação.
No recurso, os advogados vão dizer que não há provas suficientes contra Belo. Não há, segundo Bergher, nenhuma evidência de que Belo tenha feito realmente o empréstimo ou recebido um fuzil.
- Se uma pessoa fala, num telefonema, que é gravado sem ela saber, que vai comprar uma arma, viajar para a Venezuela para matar o presidente de lá, e volta sem nada ter feito, isto é crime? Claro que não. Com o Belo é a mesma coisa. Se ele disse que iria emprestar dinheiro, como a Justiça alega, cadê a prova de que ele emprestou? Qualquer estudante de direito sabe que falar no telefone não é crime – alega Bergher.
Segundo o advogado, Belo foi condenado a três anos por tráfico e três anos por associação para o tráfico, menor pena possível. Ele disse também que a juíza se baseou nas mesmas gravações para condenar Belo por dois crimes e absolvê-lo pelo porte de arma:
- Se a prova é a mesma, como a juíza condenou por um crime e absolveu de outro?
Para a juíza Rute Viana Lins, porém, os advogados não conseguiram provar que o pagodeiro falou com o traficante Vado por ter medo dele. O cantor já havia dito que sabia que uma pessoa perigosa ligaria e atendeu ao telefonema por temer represálias. Segundo o despacho da magistrada, “o exame de conversas retrata questionamentos típicos de camaradagem, tais como notícias sobre filhos”.
Fonte: O Globo




