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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Descoberta pode evitar mastectomias duplas em vítimas de câncer

10/01/2003 09h52 – Atualizado em 10/01/2003 09h52

LONDRES – Em uma descoberta que pode reduzir a necessidade de mastectomias (cirurgias para retirada do seio), cientistas constataram que mulheres com uma doença benigna na mama estão sob maior risco de desenvolver câncer, mas a doença normalmente ocorre em um dos seios, não nos dois.

Até agora, presumia-se que as chancer de desenvolver câncer eram iguais para ambos os seios em mulheres que apresentavam hiperplasia lobular atípica (HLA; presença de células anormais), o que dava apoio a argumentos em favor da realização de mastectomia dupla para prevenir a doença.

Mas cientistas no Centro Médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, no Tennessee, descobriram que, apesar de a HLA triplicar o risco de câncer, na maioria dos casos a doença aparece no seio com hiperplasia.

“Para mim, isso é terrivelmente empolgante porque desafia o argumento tudo-ou-nada”, disse, em um comunicado, David Page, professor de patologia da universidade, que chefiou a pesquisa. “Espero que isso seja o início de uma discussão sobre o modo apropriado de reduzir o risco para essas mulheres. Pode ser que possamos remover parte do seio e assim eliminar a maior parte do risco.”

Em uma pesquisa relatada na revista médica “The Lancet”, Page e sua equipe estudaram 252 mulheres com HLA. Cinqüenta delas desenvolveram câncer de mama, mas, em 75% dos casos, a doença apareceu no seio com HLA.

Bruce Shack, professor de cirurgia plástica de Vanderbildt, disse que a descoberta pode ter importantes implicações para mulheres com esse tipo de alteração no seio.

  • Isso sugere que se pode fazer algo por elas, para reduzir o risco, que é menos do que uma mastectomia e certamente menos que uma mastectomia bilateral – disse Shack.

Cientistas imaginavam que a hiperplasia, diagnosticada em 4% a 5% das biópsias, era precursora do câncer ou um sinal de que algo no seio favoreceria o desenvolvimento da doença.

A nova descoberta sugere que a hiperplasia é um quadro intermediário, porque muitas, mas não todas as mulheres desenvolveram câncer no mesmo seio no estudo.

Page disse que são necessários mais estudos para determinar os melhores métodos de tratamento da hiperplasia e reduzir o risco de câncer de mama, um dos mais comuns entre as mulheres.

Fonte: Reuters

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