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sábado, 9 de maio de 2026

Mordida de morcego poderia exterminar entupimentos que causam derrames

10/01/2003 16h23 – Atualizado em 10/01/2003 16h23

DALLAS, EUA — Parece filme de terror, mas é uma pesquisa científica séria. No futuro, vítimas de derrames poderão obter algum auxílio através da mordida de morcegos, segundo pesquisadores.

Uma substância retirada da saliva de morcegos contém um poderoso exterminador de coágulos e pode ser usada por até três vezes mais do que o atual tratamento e sem o risco de efeitos colaterais ao cérebro, segundo um estudo realizado com camundongos.

O estudo foi publicado na edição desta semana da revista Stroke, editada pela Associação Americana do Coração.

“Quando um morcego morde sua vítima, secreta esta poderosa substância que dissolve coágulos, de forma que o sangue da vítima continue fluindo, permitindo que o morcego se alimente”, explicou Robert Medcalf, principal autor do estudo e pesquisador do Box Hill Hospital, em Victoria, na Austrália.

Esta enzima de morcegos está geneticamente relacionada aos atuais medicamentos para derrames que rompem coágulos, mas é mais potente.

Os derrames são a terceira principal causa de morte nos Estados Unidos, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças. Derrames isquêmicos – os que o estudo observou – acontecem quando um coágulo sangüíneo ou uma série de coágulos bloqueia o fornecimento de sangue para o cérebro.

O exterminador de coágulos se chama desmoteplase, ou DSPA. A substância mira e destrói a plataforma estrutural dos coágulos sangüíneos, segundo Medcalf.

Atualmente, o único exterminador de coágulos aprovado pelo governo dos Estados Unidos para uso em casos de derrames agudos é o ativador plasminogênico do tecido (t-PA), mas deve ser dado ao doente no prazo de três horas após o derrame para ser eficiente. Depois disso, o risco de sangramento no cérebro aumenta. A substância também causou a morte de células cerebrais em alguns estudos com animais.

No atual estudo, os pesquisadores injetaram nos cérebros dos camundongos DSPA ou t-PA e então rastrearam a sobrevivência das células do cérebro. Eles descobriram que o DSPA acabou com os coágulos, mas não teve efeito sobre os receptores cerebrais que podem causar dano ao cérebro, segundo Medcalf.

Já o t-PA, ao contrário, aumentou muito o grau de morte das células do cérebro depois de algum tempo e, portanto, pode ser prejudicial se administrado muito tempo depois de a pessoa ter sofrido o derrame.

Como o exterminador de coágulos da saliva do morcego não tem efeito danoso sobre as células do cérebro, o espaço de tempo em que poderia ser administrado tem maior potencial para o tratamento de derrames, segundo o estudo. A Associação Nacional de Derrame diz que, em média, um paciente de derrame espera mais de 12 horas para ir para o pronto-socorro.

O DSPA está sendo testado até nove horas depois do derrame em pacientes humanos na Europa, Ásia e Austrália. É possível que seja feito um estudo nos Estados Unidos este ano.

O Dr. Larry Goldstein, presidente do comitê consultivo da Associação Americana de Derrame, acredita que o derivado da saliva de morcegos tem grande potencial em relação ao atual medicamento em uso, mas pediu cautela.

“É preciso entender que este estudo é limitado a camundongos sem derrame e concentrado apenas na toxicidade”, alertou. “Ainda é cedo para dizer se essa abordagem vai se provar segura e eficaz na melhora das seqüelas de derrames”.

Fonte: CNN

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