10/01/2003 09h23 – Atualizado em 10/01/2003 09h23
A trégua entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durou apenas nove dias. Por volta das 10h de ontem, 230 trabalhadores rurais de dois assentamentos do sertão sergipano invadiram e fecharam a agência do Banco do Nordeste (BN), em Nossa Senhora da Glória, a 160 km de Aracaju. O BN é um banco federal.
Durante a invasão à agência, os sem-terra, armados com foices e facões, além de impedir o acesso dos clientes e funcionários ao estabelecimento, não permitiram que o gerente José Roberto Maia deixasse o local.
Durante a invasão, não houve resistência dos seguranças do banco. Os trabalhadores reivindicavam a liberação de um crédito de R$ 6 mil por família para realizar pequenos investimentos em suas propriedades. No final da tarde, os militantes do MST começaram a abandonar a agência do banco federal e liberaram o gerente, após ouvir a promessa de que o dinheiro deve ser liberado na próxima semana.
Pouco antes, por determinação do governo sergipano, 25 policiais militares haviam chegado à agência bancária para negociar a saída dos trabalhadores rurais.
A direção do BN em Sergipe disse que o verba pode ser entregue “a qualquer momento”, mas não anunciou a data exata. “São duas operações já aprovadas pelo comitê de crédito do banco, mas que não foram liberadas aos sem-terra porque a Secretaria do Tesouro Nacional ainda não começou a repassar os recursos do Orçamento de 2003”, disse Jair Araujo de Oliveira, superintendente do Banco do Nordeste em Sergipe e Alagoas. As lideranças do MST diziam que não deixariam a agência sem uma resposta oficial do BnB.
Fonte: O Povo



