10/01/2003 08h38 – Atualizado em 10/01/2003 08h38
As declarações do presidiário Ronaldo Sérgio Laurindo ao juiz Cesar Bearsi causaram uma reviravolta durante os interrogatórios realizados ontem na Justiça Federal. O presidiário afirmou que teria recebido uma proposta de propina para modificar seu depoimento em relação ao que já havia dito ao Ministério Público.
Por conta dessas declarações, Bearsi determinou que a Polícia Federal prendesse e conduzisse até a Justiça um policial civil e uma escrivã. Os dois foram levados até a sede da Justiça, além de uma terceira pessoa, não identificada, que teria testemunhado a proposta feita à Laurindo.
A identidade dos três não foi revelada. Eles seriam interrogados pelo juiz a partir das 22h30 de ontem. Até as 22 horas, sete pessoas foram ouvidas. O conteúdo dos depoimentos só será liberado para a imprensa depois que forem ouvidas todas as testemunhas intimadas, segundo a assessoria de comunicação da Justiça Federal. O advogado Eduardo de Vilhena Toledo, que defende João Arcanjo Ribeiro, disse que ao fim dos depoimentos existe a possibilidade de Arcanjo se entregar à Polícia Federal. Eduardo Toledo revelou que está apenas aguardando conhecer o teor de todos os depoimentos para orientar seu cliente. Arcanjo é acusado de comandar o crime organizado no estado e desde o dia 4 de dezembro está sendo procurado pela polícia. É a primeira vez que sua defesa fala da possibilidade de ele se entregar.
Das 19 testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público, nove já foram ouvidas nos últimos dois dias. As 10 restantes serão interrogadas a partir das 10 horas de hoje. Após ter sido interrompido na madrugada de ontem, o interrogatório recomeçou por volta das 9 horas e até o fechamento dessa edição (23 horas) não havia encerrado. Segundo o procurador da República José Pedro Taques, os depoimentos têm confirmado as acusações feitas pelo Ministério Público.
A exemplo do primeiro dia de depoimento, ontem o andar em que funciona a sala de audiência da terceira vara da Justiça Federal teve o acesso permitido somente aos advogados, membros do Ministério Públicos e servidores do Judiciário.
Fonte: Diário de Cuiabá





