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quarta-feira, 6 de maio de 2026

REFLEXÃO: Oração do Deprimido

13/01/2003 15h41 – Atualizado em 13/01/2003 15h41

Senhor!

Se esta dor é o quinhão que me compete,

faz com que eu possa suportá-la,

abraçando amorosamente esta estranha cruz.

Quando eu estiver em crise, conforta o meu coração …

Quando mãos de aço invisíveis apertarem minha garganta, vem em meu auxílio

e me concede a dádiva de lágrimas libertadoras …

Quando a escuridão se fizer presente

e de breu se travestir a minha vida,

que haja uma réstia de luz, esperança e consolação, brilhando no fundo do poço …

Quando tudo tiver perdido o sentido

e eu me encontrar prostrado e abatido,

desejando apenas morrer,

que um Anjo Teu venha me falar de vida,

de novas oportunidades e de melhores circunstâncias .

Quando a aridez for tanta,

que eu me torne incapaz de dar um sorriso

para um filho meu, ou para quem quer que seja,

eleva-me à majestade do Teu reino

e banha-me nas águas da Tua redenção benfazeja …

Quando eu estiver paralisado de terror

face aos monstros incompreensíveis do pânico,

da culpa, da letargia, da fobia, do isolamento,

do ódio auto-direcionado,

faz-me lembrar de imediato

que o Teu amor se coloca acima

de todos estes algozes ilusórios,

filhos do meu transitório desequilíbrio, e que eu possa nesta hora abandonar-me em Ti,

na mais irrestrita confiança.

Permita Senhor,

que esta dor não me coloque à margem da vida.

Antes, que eu aprenda com ela e que dela,

eu seja capaz de arrancar o meu aprimoramento …

Quando Senhor, a dor se agigantar de tal sorte,

que estando eu vivo,

eu estampe a própria morte,

com os pensamentos e sentimentos em convulsão, incapacitado de balbuciar a mais simples oração,

assume nesta hora o comando da minha “embarcação “

e sem que eu perceba,

me conduz a um porto seguro de luz e salvação …

E, se um dia Senhor,

eu porventura estiver curado e reabilitado,

livra-me de me tornar esquecido .

Que possa eu amorosamente abrir meu coração,

estender as minhas mãos

e ir ao encontro dos meus outros irmãos deprimidos.

Fátima Irene Pinto

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