14/01/2003 17h18 – Atualizado em 14/01/2003 17h18
A pacata população da cidade de Bataguassu, com pouco mais de 20 mil habitantes, está ainda completamente transtornada com os últimos acontecimentos de dois fatos de violência, ocorridos neste final de semana.
Dois fatos são amplamente comentados pela comunidade, em todas as esquinas e locais de encontros: a morte de uma menina de apenas três anos de idade incompletos, depois de ter sido violentamente estuprada; e, posteriormente, o caso de uma outra criança, de 11 anos de idade, que sofria violência sexual, praticada por um artesão, que lhe dava emprego.
Nos dois casos, os autores dos bárbaros crimes estão detidos, à disposição da Justiça.
O delegado substituto de Bataguassu, Juvenal Laurentino Martins considerou que os dois casos não estão vinculados à índole pacata e ordeira da população da cidade, acostumada a conviver apenas com crimes de pequena gravidade.
O que existe e merecia um estudo mais aprofundado, sob o aspecto psicológico e social, são as conseqüências de uma população flutuante, resultados de obras e empreendimentos que estão sendo feitos na região, avaliou o delegado, titular da cidade de Anaurilândia.
REVOLTA
Ele contou que a reação imediata da população, manifestando revolta por tais acontecimentos, mesmo tendo que ser reprimida, ela é explicável, porque nenhuma pessoa de bom senso aceita determinados fatos.
Depois que foi encontrado o corpo de criança e já apontado o autor, o delegado precisou de muita criatividade e de soluções rápidas e eficientes para evitar eventual linchamento de Marcos Aparecido de Moraes, nascido em Nova Independência (SP), operador de máquinas, de 32 anos de idade. Para isso, ele solicitou a ajuda de um empresário da cidade, e de dois policiais da PRF a paisana, que saíram com o maníaco pela parte de trás da delegacia. Enquanto isso, outra viatura saia pela frente da delegacia, sendo seguida pelos manifestantes que queriam fazer justiça com as próprias mãos.
Esclarecido o fato, o delegado para preservar a integridade física do maníaco, determinou que o mesmo fosse levado para a cadeia de Anaurilândia.
DEPOIMENTO
No depoimento que fez à polícia civil, após ser detido para averiguação e indicado o local onde se encontrava o corpo da criança, Marcos confessou que havia parado no bar do “Zé Rocha” para beber cerveja. Ele permaneceu no bar, das 10 horas até por volta das 16 horas de sábado (11), dia em que praticou o crime.
“Tendo intenção de manter relação sexual” com a criança, levou-a até próximo de um laticínio, pela estrada do “Kubic”, adentrando no mato, a uma distância de uns 200 metros da rua. Para evitar que os gritos da criança fossem ouvidos, Marcos tampou sua boca e o nariz, provocando assim o desmaio da menina.
Após satisfazer-se sexualmente, o autor do bárbaro crime, segurou a vítima, já desfalecida, por um dos braços e arremessou-a dentro de uma moita de “arranha gato”, de difícil acesso. Depois disso, voltou para outro bar, conhecido por “Bar do Baiano” e ali continuou tomando cerveja.
Nos depoimentos, Marcos, após confessar o crime com detalhes, chegou a dizer: “não estou conseguindo me entender até agora” e “sou um animal da peste, por fazer uma coisa desta”.
No laudo do Instituto Médico Legal, nos exames de necrópsia, a criança veio a falecer por traumatismo encéfalo craniano e apresentava também quebra de um dos braços, além dos sinais de violência sexual.
O OUTRO CASO
O outro crime, elucidado no domingo, com a prisão em flagrante de Valdecy Ricardo Galo, de 51 anos de idade, estabelecido no distrito Nova Porto XV, no ramo de artesanato, surpreendeu a comunidade.
Atendendo a denúncias de suspeitas da mãe da criança, de apenas 11 anos de idade, a polícia civil chegou à prisão de Galo.
A menina, trabalhava com Galo em sua oficina de artesanato e foi levada por ele à prática de “violência presumida”, em sua própria residência. O fato foi confirmado pela própria menina, ao ser ouvida pelo delegado de polícia. Os abusos foram cometidos, ao menos por umas cinco vezes consecutivas, segundo disse a criança.
A vítima foi examinada pela perícia em Três Lagoas e se constatou que ela não é mais virgem.




