14/01/2003 15h05 – Atualizado em 14/01/2003 15h05
BOSTON, EUA – Um estudo realizado na Alemanha pode explicar por que pessoas que recebem um transplante de rim com freqüência desenvolvem o mesmo padrão de pressão arterial de seu doador.
O motivo é que cientistas descobriram que pessoas nascidas com menos filtros microscópicos em seus rins correm risco maior de vir a sofrer de hipertensão quando ficam mais velhas. Ao mesmo tempo, a pesquisa pode dar às mulheres grávidas uma razão a mais para observar sua alimentação.
Os rins, que limpam o sangue, são compostos de centenas de milhares de minúsculos filtros chamados glomérulos.
Pesquisadores disseram que estudaram 10 pessoas de meia-idade com hipertensão arterial e descobriram que elas tinham uma média de 700 mil glomérulos em cada um dos rins, comparados com mais de 1,4 milhão dos pequenos filtros em cada rim de 10 indivíduos com pressão normal.
Os rins estudados foram retirados de 20 pessoas que morreram em acidentes.
Kerstin Amann, da Universidade de Erlangen-Nurnberg, disse à agência Reuters que mesmo em pacientes idosos que tinham pressão normal, mas cujos rins apresentavam fortes sinais de desgaste, o número de glomérulos não era muito menor do que nos pacientes jovens que tinham hipertensão.
Os pesquisadores também descobriram que os glomérulos de pessoas com hipertensão eram maiores, uma indicação de que cada filtro estava sendo forçado a trabalhar mais.
O menor número de glomérulos por rim, segundo Amann, parecia mais ser a causa da hipertensão do que uma conseqüência do problema.
Julie Ingelfinger, editora do New England Journal of Medicine, que publicou o estudo esta semana, disse que as descobertas podem dar às gestantes uma outra razão para prestar atenção em sua dieta.
Não comer proteínas suficientes, por exemplo, pode levar à geração de um bebê com menos filtros nos rins. Com o tempo, a capacidade de o rim de compensar a morte dos glomérulos pode falhar e causar a hipertensão.
Amann concordou em que a hipertensão é causada por vários fatores, o que significa, segundo ele, que as novas descobertas podem não se aplicar a pessoas em outros países ou de raças e grupos étnicos diferentes.
Fonte: Reuters




