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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Italianos descobrem gene da “barriga de cerveja”

16/01/2003 17h02 – Atualizado em 16/01/2003 17h02

Cervejeiros de todo o mundo podem fazer um brinde. Cientistas italianos descobriram que a barriga de cerveja pode ser resultado não só da quantidade ingerida, mas também dos genes de cada um.

Num estudo publicado neste mês pela revista Annals of Internal Medicine, os pesquisadores disseram ter vinculado um gene, conhecido como DD e presente em 40 por cento da população, ao ganho de circunferência abdominal em homens. A equipe acompanhou 300 operários durante 20 anos e descobriu que os portadores do gene DD ganharam 50 por cento a mais de peso dos que aqueles que não possuem o gene. Os primeiros engordaram 4,5 quilos, em média, e o outro grupo 3 quilos. “Algumas pessoas, apesar do sacrifício no controle das calorias e de tentarem fazer o máximo de exercício, tendem a engordar porque são geneticamente suscetíveis a isso,” disse o coordenador da pesquisa, Pasquale Strazzullo, da Universidade Federico II, em Nápoles. Segundo ele, a forma mais freqüente da obesidade, especialmente em homens, é a barriga.

A primeira série de pesquisas feita por esse grupo, em 1975, não incluía medições dos quadris, dado que foi acrescentado nos dados recolhidos entre 1994 e 95, com uma amostra maior. Strazzullo então descobriu que os portadores do gene DD ganham em média três centímetros de quadril por década, o triplo dos homens que não têm o gene. A equipe também constatou que 52 por cento dos portadores do DD são obesos, contra 44 por cento dos outros.

“A obesidade é um grande quebra-cabeça, e este estudo é uma pequena peça que encaixamos,” afirmou Strazzullo. Ele disse que dois outros genes já foram associados ao aumento de peso, mas que o DD é mais comum entre eles. A Organização Mundial de Saúde estima que em 2000 havia cerca de 300 milhões de obesos no mundo, um crescimento de 50 por cento em cinco anos. “A epidemia de obesidade é difícil de enfrentar porque tudo na nossa sociedade nos tenta a engordar. O que comemos e quanto exercício fazemos importa, mas também há uma tendência genética para alguns indivíduos,” disse o pesquisador. Ele afirma, porém, que só metade do mistério foi resolvido, pois agora os cientistas tentam descobrir como é o processo ligado a esse gene. “Não se exclui que em alguns anos saibamos o mecanismo dessa associação e descubramos uma droga que combata seus efeitos, mas por enquanto isso é muito prematuro.”

Fonte: Reuters

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