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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Ex-assessor de Garotinho vê denúncias como um “absurdo”

17/01/2003 10h07 – Atualizado em 17/01/2003 10h07

O ex-subsecretário de Administração Tributária na gestão Anthony Garotinho (1999-abril de 2002), Rodrigo Silveirinha Corrêa, 40, disse em entrevista à Folha, por escrito, ser um “absurdo” as denúncias de que comandaria um esquema de corrupção responsável pela remessa ilegal de US$ 36 milhões a bancos da Suíça.

Silveirinha -nomeado presidente do Codin (Conselho de Desenvolvimento Industrial do Estado) pela governadora Rosinha Matheus (PSB) e exonerado após o escândalo vir à tona- negou que tenha sido ouvido por autoridades suíças sobre o caso, recusou-se a responder a uma pergunta sobre a sua função na campanha de Rosinha e disse que Garotinho (PSB) foi “precipitado” ao lhe chamar de “bandido”. Leia a seguir suas declarações.

Folha – O que o sr. tem a dizer sobre as denúncias que estão sendo feitas?

Rodrigo Silveirinha Corrêa – É tudo um absurdo. Jamais abri ou autorizei alguém a abrir conta em banco fora do país.

Folha – O sr. diz que nunca enviou dinheiro para a Suíça, mas então por que o Ministério Público daquele país afirma que há dinheiro depositado em seu nome?

Silveirinha – Se de repente aparece uma conta aberta na Suíça em meu nome, sem minha autorização, sem meu conhecimento e com milhões de dólares que não são nem nunca foram meus, só posso pensar que alguém usou meu nome indevidamente. Com que propósitos? Não sei.

Folha – O Ministério Público da Suíça afirma que o sr., os fiscais do Rio e os auditores da Receita Federal também acusados foram ouvidos para explicar a procedência do dinheiro lá depositado. O sr. foi ouvido? Quando? O que disse?

Silveirinha – Eu nunca fui ouvido por quem quer que seja e jamais tive contato com qualquer autoridade da Suíça, onde por sinal nunca estive. Soube da existência das contas pela imprensa.

Folha – O senhor já teve -ou tem- uma conta no banco Discount Bank and Trust Company?

Silveirinha – Não. Nem nesse nem em qualquer outro banco estrangeiro, localizado dentro ou fora do país.

Folha – Qual o patrimônio que o sr. possui? Como conseguiu esse patrimônio?

Silveirinha – A casa onde moro, localizada em condomínio de classe média, apartamento de dois quartos e terreno (todos no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste) e meio apartamento de quarto e sala no Rio de Comprido [zona norte]. Esses bens foram adquiridos com os recursos obtidos em 22 anos de trabalho, sendo que, à exceção do terreno, todos foram comprados antes de 1999, quando passei a ocupar o cargo de subsecretário-adjunto de Administração Tributária.

Folha – O sr. conhece os auditores Amauri Franklin Nogueira Filho, Hélio Lucena Ramos da Silva, Sérgio Jacome de Lucena e Axel Ripoll Hamer, também acusados? Se sim, qual era sua relação com eles?

Silveirinha – Não. Jamais tive contato com qualquer um deles.

Folha – Quais eram as funções de Rômulo Gonçalves e Lúcio Manoel Picanço? Sobre Lúcio Picanço, ele foi seu chefe de gabinete?

Silveirinha – Gonçalves atuou como fiscal de rendas. Picanço foi chefe de gabinete do ex-secretário Carlos Antônio Sasse. Subsecretário não tem chefe de gabinete.

Folha – Quem o nomeou para a subsecretaria? Foi o ex-secretário de Fazenda Carlos Antônio Sasse?

Silveirinha – Sasse me convidou para o cargo e o ato de nomeação é de competência do governador.

Folha – Qual era a relação do senhor com o ex-governador Garotinho? O sr. já despachou com ele? Mantinha contatos telefônicos com freqüência? Era amigo da família?

Silveirinha – A relação entre mim e o ex-governador sempre foi de ordem técnico-profissional. Às vezes em que estive reunido com o ex-governador foi para tratar de assuntos na esfera de minha competência. Não mantinha contatos frequentes nem era amigo da família.

Folha – Quando o senhor soube que estava sendo investigado pelo Ministério Público Federal?

Silveirinha – Quando essa notícia foi divulgada pela imprensa.

Folha – O sr. avisou à governadora ou ao ex-governador que estava sendo investigado? Quando?

Silveirinha – Não, em razão do que afirmo na resposta anterior.

Folha – O que o sr. achou da decisão de Rosinha de exonerá-lo, antes mesmo de que o senhor tenha sido indiciado pela Polícia Federal por suposta remessa ilegal de recursos para Suíça?

Silveirinha – Assim que tomei conhecimento de que estava sendo preparada uma reportagem pela revista “IstoÉ” contendo acusações contra mim, escrevi uma carta em que solicitava meu afastamento do cargo para facilitar a apuração dos fatos e desonerar a governadora Rosinha da repercussão que eventualmente o caso assumisse. Entreguei essa carta ao secretário de Desenvolvimento Econômico, Tito Ryff, dois dias antes da publicação de minha exoneração.

Folha – Como o sr. recebeu a reação de Garotinho, que o chamou de “bandido”?

Silveirinha – Classificaria como precipitação decorrente do momento emocional. Acredito que o ex-governador só considere alguém culpado depois que essa pessoa for julgada e condenada, dentro do devido processo legal, em que a ampla defesa é garantida ao acusado. Ele mesmo já foi acusado várias vezes e depois provou não ser culpado.

Fonte: Folha São Paulo

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