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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Uruguai critica planos de Lula e Duhalde para o Mercosul

17/01/2003 10h41 – Atualizado em 17/01/2003 10h41

O vice-presidente do Uruguai, Luis Hierro, e o ex-chefe de Estado, Luis Lacalle, criticaram os projetos de criação de um parlamento comum e de uma moeda única do Mercosul, lançados pelos presidentes Luiz Inacio Lula de Silva, do Brasil, e Eduardo Duhalde, da Argentina.

Hierro opinou que “é prematuro planejar a organização de um Parlamento do Mercosul, devendo-se, ao contrário, fortalecer a ação da Comissão Parlamentar Conjunta”.

Essa Comissão possui o mesmo número de representantes por país, tendo funções de coordenação da atividade legislativa nos quatro Estados que formam o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e de ratificação de tratados e convênios.

O vice-presidente frisou, em declarações à revista “Búsqueda”, a necessidade de garantir “a tarefa legislativa dos parlamentos nacionais para internalizar em cada país a legislação do Mercosul”.

“Tanto a moeda comum quanto o Parlamento comum são etapas posteriores”, porque “primeiro é preciso fortalecer a união alfandegária imperfeita, a secretaria técnica do Mercosul e o organismo comum de Justiça”, afirmou Hierro.

Além disso – em alusão às condições que tanto a Argentina quanto o Brasil impuseram à entrada de mercadorias uruguaias em seus mercados – enfatizou que “é preciso resolver os problemas cotidianos do Mercosul relacionados à livre circulação de bens e pessoas”.

“Sobre isso, tivemos experiências, em alguns casos negativas, que certamente os demais presidentes conhecem”, acrescentou.

O ex-presidente Lacalle, fundador do Mercosul, sempre defendeu um processo de integração subregional estritamente ligado a aspectos comerciais, sem intromissão em política.

Ele afirmou ao jornal “El Observador” que Duhalde e Lula têm todo o direito de se reunirem e formalizar entendimentos bilaterais, mas em relação ao Mercosul “de nada podem dispor porque o bloco funciona levando em conta a opinião unânime de seus integrantes”.

Frisou o quanto é “perigoso avançar no campo político”.

“Rejeitamos qualquer tentativa de unidade política do Uruguai com a Argentina e o Brasil, o Mercosul é uma aliança comercial, com o propósito de favorecer o crescimento da atividade econômica e o emprego, não é um projeto político”, destacou o ex-presidente.

Sobre a moeda comum, disse que não há condições para criá-la e que “falar disso sem coordenar, antes, as políticas macroeconômicas, é uma típica medida destinada ao fracasso”.

Também pediu ao Brasil que deixe de importar arroz subsidiado dos Estados Unidos e que compre o produto do Uruguai. “É isso que esperamos, sem nos entusiasmar com coisas alheias ao espírito do Mercosul”, acrescentou.

Duhalde e Lula se comprometeram na terça-feira desta semana em Brasília a fortalecer a “aliança estratégica” entre os dois países para favorecer a integração regional, eliminar a pobreza e manter a região sem armas nucleares.

Para os dois chefes de Estado, o Mercosul é “também um projeto político”, do qual a sociedade deve participar integralmente.

Fonte: France Presse

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