24/01/2003 10h12 – Atualizado em 24/01/2003 10h12
NOVA JERSEY – Tomar suplementos de vitamina A pode enfraquecer os ossos e aumentar o risco de fraturas em até sete vezes, de acordo com um amplo estudo sueco, publicado na edição de quinta-feira do New England Journal of Medicine.
A pesquisa, realizada em homens, confirma três estudos preliminares feitos com mulheres mostrando que a ingestão elevada de vitamina A aumenta o risco de rachaduras no quadril e em ossos mais frágeis.
O estudo sueco é o primeiro a medir os níveis da vitamina no sangue e não apenas confiar em dados sobre a dieta dos entrevistados e em seu uso do suplemento.
O estudo, que durou três décadas, sugere que o consumo diário de mais de 1,5 miligrama de vitamina A pode ser perigoso e que a maioria das pessoas não deve ingerir esse tipo de suplemento.
As atuais recomendações alimentares requerem apenas uma dose diária de 0,7 mg de vitamina A para mulheres e de 0,9 mg para homens, o que é facilmente obtido com uma dieta saudável.
Mas muitas multivitaminas populares contêm entre 0,75 e 1,5 mg de vitamina A, que geralmente aparecem nas etiquetas dos frascos como 2.500 e 5.000 unidades internacionais (Ius), respectivamente.
“A vitamina A é potencialmente prejudicial”, disse o dr. Donald Louria, presidente honorário da cadeira de Medicina Preventiva e Odontologia da Universidade de Nova Jersey, em Newark.
“Salvo que exista uma razão médica conhecida para a administração do suplemento, como certas doenças dos olhos, as pessoas não deveriam consumir vitamina A”.
O estudo, que consultou 2.322 homens, foi realizado por médicos do Hospital da Universidade de Upsália, na Suécia.
A vitamina A é conhecida como um antioxidante e se acredita que os antioxidantes reduzem o risco de doenças cardíacas e de câncer.
Estudos governamentais mostram que entre um terço e a metade dos norte-americanos consomem vitamina A ou de multivitaminas que contêm o suplemento.
Interferência
A vitamina A pode interferir com as células que produzem novos ossos, estimula as células que quebram os ossos velhos e intervêm com a vitamina D, que ajuda o corpo a manter os níveis normais de cálcio.
No estudo, aproximadamente 20 por cento dos pesquisados, ou 460 dos homens, corriam risco porque apresentavam níveis mais elevados de vitamina A.
Os homens tinham uma possibilidade duas vezes e meia maior de quebrar o quadril e 65 por cento a mais de sofrer uma fratura no corpo, comparados aos que apresentavam níveis mais baixos da vitamina A no sangue. No extremo do grupo, o risco chegou a ser sete vezes maior.
Louria disse que as pessoas não deveriam ingerir suplementos de óleos de peixes ou comer fígado de boi mais de uma vez por semana, e que as multivitaminas que contêm 0,1 mg ou menos de vitamina A são aceitáveis para quem realiza uma dieta saudável.
Grandes quantidades de vitamina A são encontradas em fígado de boi e em óleos de fígado de peixe; e pequenas quantias em gemas de ovos, manteiga e creme.
Leite e alguns cereais fortificados com vitamina A fornecem, por dose, cerca de 10 por cento das necessidades diárias.
Resultados inusuais
Annette Dickinson, presidente do grupo de comércio dos fabricantes de suplementos, o Conselho para uma Nutrição Responsável, disse que os homens suecos apresentaram um incomum e elevado nível de vitamina A, embora poucos admitam o consumo de suplementos.
“Eu não acho que agora exista uma razão para se afirmar que as multivitaminas contendo uma quantidade normal de vitamina A sejam perigosas”, disse Dickinson.
Segundo ela, “em muitas multivitaminas, a vitamina A está em forma de betacaroteno, o que estudos mostraram que não enfraquece ossos”.
O estudo sueco tem algumas imperfeições, entre as quais o fato de que os níveis de vitamina A no sangue foram medidos apenas uma vez. Também, as informações dos participantes sobre as dietas e os suplementos usados 20 anos depois não se ajustam bem com seus níveis iniciais de vitamina A no sangue.
Fonte: Associated Press






