27/01/2003 10h52 – Atualizado em 27/01/2003 10h52
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Francisco Fausto, disse ontem que o número de pessoas submetidas a trabalho escravo no país é sete vezes superior ao divulgado no fim do governo Fernando Henrique Cardoso. O ministro do TST estima que supere a marca de 25 mil brasileiros. O governo Fernando Henrique divulgou que a escravidão no Brasil atinge apenas 3,5 mil pessoas.
— A escravidão no Brasil é uma caixa preta. Quando ela for aberta, vai surpreender e escandalizar muita gente — disse Fausto.
O ministro disse que para combater o trabalho escravo é preciso ter vontade política. Na opinião do presidente do TST, somente a adoção de medidas drásticas vai resolver o problema.
— Hoje, os trabalhadores são libertados, mas, no dia seguinte, voltam à escravidão.
Francisco Fausto apontou como uma das soluções a aprovação no Congresso de um projeto que confisca terras dos proprietários que exploram esses trabalhadores. A proposta está parada na Câmara dos Deputados.
A Pastoral da Terra divulgou ano passado estimativa de que existem no Brasil 23 mil trabalhadores escravizados. O Sul do Pará é a região que registra o maior número de casos. Outro levantamento, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), revela que o número de trabalhadores sob o regime da escravidão chega a 25 mil.
O presidente do TST participou ontem, em Porto Alegre, de uma das oficinas jurídicas promovidas durante o 3 Fórum Social Mundial.
Fonte: O Globo





