04/02/2003 16h16 – Atualizado em 04/02/2003 16h16
Um grupo de sete homens armados com fuzis, metralhadoras e pistolas invadiu, por volta das 23h de ontem, a Cadeia Pública de Pindamonhangaba (145 km de SP) e libertou oito detentas suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas.
Na saída da unidade, a quadrilha foi interceptada por policiais militares e houve troca de tiros _um dos carros da Polícia Militar foi baleado, e os criminosos conseguiram fugir, mas ninguém ficou ferido.
Os suspeitos usavam coletes da Polícia Civil e planejaram a ação para resgatar as detentas que estavam na unidade há menos de uma semana. Elas haviam sido detidas há cerca de quatro dias em Taubaté (130 km de SP).
Dois delegados, uma carcereira e quatro agentes foram feitos reféns pelo grupo durante a ação. No momento do resgate, havia apenas policiais na delegacia.
A ação durou menos de cinco minutos. Enquanto três homens aguardavam em carros do lado de fora da unidade, outros quatro integrantes do grupo renderam os policiais e abriram as quatro celas da cadeia, onde estavam 23 presas no total.
Um dos homens ficou vigiando os policiais, que foram obrigados a ficarem ajoelhados e de costas para os suspeitos.
Um delegado, que estava deixando o plantão, chegou a ser confundido com um morador que estava registrando um boletim de ocorrência e, por isso, não foi revistado pelos suspeitos.
Um agente ficou ferido com um corte na cabeça provocado por uma coronhada dada por um dos suspeitos. Ele estava com a carcereira.
Somente as oito detentas, que seriam o alvo do resgate, saíram. As outras presas não fugiram, mesmo com as celas abertas.
Dos carros utilizados na fuga um Ômega, um Vectra e um Gol roubado na cidade, os dois primeiros foram abandonados próximos à via Dutra.
A polícia suspeita que o grupo tenha trocado os carros e fugido pela rodovia. Não há informações sobre a quadrilha.
O delegado titular de Pindamonhangaba, Verney Antonio de Freitas, suspeita que o grupo seja da capital porque um dos integrantes da quadrilha, preso durante a madrugada, é da cidade de São Paulo.
O ajudante-geral Jair Ferreira Roque da Silva, 21, foi detido por policiais militares em uma estrada vicinal que liga Pinda a Taubaté. O suspeito foi reconhecido pelas roupas e pelo colete durante patrulhamento feito pela PM.
Silva, que é de Itaquera (em São Paulo), disse aos policiais militares que havia recebido R$ 1.000 para participar do resgate, mas não revelou quem o pagou e quais eram os alvos da ação.
Na delegacia, o ajudante confessou o crime, mas não confirmou os valores recebidos para a ação. Ontem, uma equipe de investigadores buscava informações sobre o grupo em São Paulo, enquanto outra equipe reunia informações em Pinda.
A polícia investiga se o grupo tem envolvimento com alguma facção criminosa, como o PCC (Primeiro Comando da Capital), mas suspeita é que a ação tenha sido planejada pela própria quadrilha para libertar presas casadas ou que fossem parentes de membros do grupo.
Fonte: Folha Vale




