05/02/2003 15h50 – Atualizado em 05/02/2003 15h50
O músico Júlio Caio César Cavalcante de Holanda, amigo do casal que agrediu os filhos no último domingo, em Campinas (95 km de SP), disse que Alexandre Alvarenga, o agressor, “era uma pessoa extremamente religiosa”.
Holanda conheceu Alexandre Alvaranga, 32, e sua mulher, Sara Maria Alvarenga, 31, dois anos atrás, quando eles produziram seu CD. Holanda faz parte da dupla sertaneja Caio & Flávio.
Segundo ele, o casal assistia, aos domingos, às missas do padre Eduardo Dogherty, da igreja Renovação Carismática, uma nova ala do catolicismo.
Holanda ainda disse que nos últimos dias Alvarenga estava curioso para saber quem era Deus. “Ele estava se questionando a respeito de Deus, mas nenhum motivo justifica o que eles fizeram. Eu e todas as pessoas que conhecem o Xande [Alvarenga] e a Sara estamos muito chocados. Este não é o Xande que conhecemos.”
Segundo o amigo, o casal era muito equilibrado, humilde e querido pelos amigos e vizinhos. Ele afirmou que o casal não usava drogas e não bebia. “Ele [Alvarenga] sempre demonstrou muito carinho pelos filhos, inclusive pelo garoto [José Alexandre]. Ele costumava chamá-lo de `minha riqueza´.”
“Este é um caso típico para ser decifrado pela parapsicologia”, acredita ele. “Acho que eles foram dominados por uma entidade, por espíritos”, disse ele, que é espírita e faz parte da Federação Espírita, que segue os fundamentos de Alan Kardec.
“O que aconteceu é muito estranho por atingir duas pessoas ao mesmo tempo. O que eles fizeram foi uma coisa monstruosa, a única explicação está em algo extracorpóreo.”
A medicina e a psiquiatria (especificamente) descartam a influência e mesmo a existência de “entidades” inorgânicas (espíritos) que influenciem os seres humanos. O surto psicótico (quando uma pessoa, por motivos orgânicos ou externos, como no caso de drogas), perde o controle dos atos, embora em estado de consciência) costuma ser investigado nesses casos.
Segundo o amigo do casal (que está internado numa clínica, mas sob ordem de prisão), testemunhas que presenciaram o crime dizem que Alvarenga disse várias frases como “Há satanás!” e uivou durante a agressão.
Ele primeiro atirou o filho de um ano sobre um carro em movimento. A criança está em estado gravíssimo e corre risco de morte. Também bateu a cabeça da filha numa árvore várias vezes. Ela já foi liberada.
Fonte: Folha Online





