05/02/2003 11h08 – Atualizado em 05/02/2003 11h08
A maioria das dioceses católicas da República da Irlanda têm, desde 1987, contratos milionários com companhias de seguro para lidar com as denúncias de abusos sexuais de padres contra menores. Em um comunicado publicado hoje pelo jornal The Irish Times, os bispos irlandeses afirmam que, desde 1999, os padres contam também com um fundo especial de 10,6 milhões de euros para enfrentar esse tipo de queixas.
A nota explica que “entre 1987 e 1990, a maioria das dioceses adquiriram apólices de seguros diferentes com a companhia Church & General”, uma seguradora criada pela Igreja Católica irlandesa no começo do século passado. Os bispos controlam ainda uma parte da companhia, mas o maior acionista é o gigante de seguros Allianz.
Conforme o jornal, que cita fontes da Church & General, toda vítima de um caso comprovado de abusos sexuais receberá da Igreja Católica uma quantia máxima de 253.900 euros, que inclui também as despesas legais. As condições do contrato estabelecem, além disso que, há quatro anos, as dioceses do país só têm seguro para enfrentar denúncias de abusos sexuais cometidos por seus padres a partir de 1996.
A Igreja Católica irlandesa indenizou no mês passado com uma elevada quantia um cidadão que sofreu abusos sexuais quando era coroinha em uma paróquia de Dublin. Na ocasião, o Alto Tribunal de Justiça dublinense deu a autorização a um acordo acertado entre o queixoso, Mervyn Rundle, e o prelado católico da Irlanda, o arcebispo de Dublin e cardeal Desmond Connell.
No entanto, o porta-voz da Conferência Episcopal Irlandesa, Martin Clarke, reconheceu hoje que o fundo especial de 10,6 milhões de euros não será suficiente para enfrentar futuras ações. “Obviamente houve e haverá sérias queixas. As dioceses se expõem a pagamentos maiores de 10,6 milhões e para estes será um desafio encontrar a maneira de financiá-los”, disse Clarke.
Fonte: Agência Brasil




