05/02/2003 10h10 – Atualizado em 05/02/2003 10h10
Uma empresa de engenharia japonesa exportou para a Coréia de Norte em 1994 máquinas que podem ser utilizadas para a produção de combustível para mísseis. A empresa de Tóquio Seishin Enterprise, que está sendo investigada por uma suposta venda ilegal ao Irã de aparelhos similares, recebeu em 1993 um pedido de uma companhia filiada ao departamento de Ciência e Tecnologia da Organização de Residentes Coreanos no Japão, Chongryon, que apóia o regime comunista de Pyongyang.
Aparentemente, a maquinaria, que custou 40 milhões de ienes (cerca de US$ 334 mil), foi enviada um ano mais tarde a uma companhia controlada pelo governo de Pyongyang, a bordo de um navio de passageiros norte-coreano que regularmente chega ao porto japonês de Niigata. Como este material pode ser usado para a produção de combustíveis sólidos para fins militares, as exportações desse tipo de maquinaria, um moedor centrifugador de alta precisão, são reguladas por lei e requerem uma permissão especial do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão.
Seishin se defendeu e garantiu ter entregue documentos à alfândega, declarando que a maquinaria não tinha usos militares. Apesar disso, e embora suspeite-se de que a empresa tenha violado as leis de Troca e Comércio Exterior e a de Alfândegas, o caso não pode ser objeto de um processo judicial por terem prescrito os prazos para as ações.
A exportação da maquinaria de precisão foi feita durante uma das maiores crises nucleares da península da Coréia, na qual os Estados Unidos estiveram a ponto de atacar Pyongyang, cujo governo se negava a dar um fim ao desenvolvimento de mísseis de longo alcance.
“Pyongyang precisava desenvolver combustível sólido, porque o líquido usado pela maioria de seus mísseis atrasa o lançamento”, disse um especialista ocidental. A revelação da venda destas máquinas acontece num momento de grande tensão entre a Coréia do Norte e os EUA, já que o regime comunista decidiu retomar seu programa nuclear e abandonou o Tratado de não-Proliferação Nuclear (TNP).
Fonte: Agência EFE





