20/03/2003 08h22 – Atualizado em 20/03/2003 08h22
Marli Lange Pedaços de corpos fora da geladeira, causando cheiro insuportável, geladeiras em péssimo estado de conservação, equipamentos inadequados, sujeira e abandono. Esse é o retrato atual do IML (Instituto Médico Legal), de Dourados. Há anos o problema vem se arrastando sem que as autoridades tomem providência. O prédio permanece fechado o dia todo, somente é aberto quando são levados corpos para o local. Apenas uma das duas geladeiras, está funcionando e mesmo assim está com a porta quebrada. A reportagem do Diário MS não constatou nenhum corpo inteiro no local. Os pedaços de corpos estavam embrulhados num plástico jogados sobre uma mesa. Por estar fora da geladeira, já alguns dias supostamente, exala um cheiro forte de putrefação, que pode ser sentido à distância. A sujeira toma conta do local, principalmente na área de chegada de veículos. Quando a reportagem esteve no local, ontem, havia uma maca suja de sangue. Segundo informações, existem outros equipamentos no local que não funcionam adequadamente. O prédio, até sexta-feira passada, estava rodeado pelo mato. Ontem, o local já estava roçado. No prédio, aparentemente, não existem vigias e muito menos qualquer funcionário que cumpra expediente normal. O IML está localizado ao lado do Cemitério Bom Jesus. Os moradores já estão reclamando do mal cheiro. Essa semana, até os portões do prédio abandonado foram atingidos por tiros. Há três dias, o Diário MS vem tentando entrar em contado com o diretor do IML, o médico legista Ricardo Zocolaro, para saber porque o IML continua funcionando em estado tão precário, mas não obteve êxito. As secretárias dele alegam que o médico está sempre ocupado com pacientes e, apesar de deixar diversos recados, ele não retornou a ligação. O diretor geral do IML em Mato Grosso do Sul, João Carlos de Sales, ficou surpreso em saber que o IML de Dourados encontra-se abandonado. Ele alega que a última vez que veio a Dourados, fez uma reunião com os legistas, com a Polícia Civil e com representantes do município. Segundo João Carlos, na ocasião, todos se comprometeram em trabalhar para que o IML funcionasse normalmente. “Depois disso, ninguém do IML de Dourados se manifestou a respeito, pensei que estivesse funcionando normalmente”, disse. Ele alega ainda que não consegue fazer uma fiscalização adequada por causa do acumulo de trabalho no IML, em Campo Grande. O legista informou também que não recebeu nenhum pedido da direção do IML de Dourados ou da Polícia Civil para que pudesse fazer a solicitação ao Governo Estadual para melhorar as condições do Instituto. O delegado regional da Polícia Civil de Dourados, Benjamim José Machado, disse que a responsabilidade pelo IML é do legista Ricardo Zocolaro e que também não recebeu qualquer tipo de reivindicação para ser levada a Campo Grande.






