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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Iraque retalia ataque para matar Saddam com mísseis contra o Kuwait e desperta medo de arma química

20/03/2003 13h45 – Atualizado em 20/03/2003 13h45

WASHINGTON, BAGDÁ E LONDRES – Horas depois de os Estados Unidos terem iniciado sua guerra contra o Iraque, com uma tentativa aparentemente fracassada de matar o ditador Saddam Hussein, o regime de Bagdá retaliou na manhã desta quinta-feira lançando mísseis contra tropas americanas e britânicas estacionadas no Kuwait – enquanto militares aliados alertavam para o risco de um ataque iminente com armas químicas.

Roupas de proteção contra ataques de agentes químicos e biológicos foram distribuídas à imprensa, num hotel de luxo no sul da Cidade do Kuwait, por funcionários dos governos britânico e americano que diziam ter informações de que um ataque iraquiano com armas não-convencionais era iminente.

  • Temos informações fidedignas de que um ataque virá em breve – disse um dos funcionários.

A guerra ordenada pelo presidente George W. Bush para destituir Saddam foi iniciada na madrugada de quinta-feira em Badgá (23h35m de Brasília). Saddam, no entanto, teria sobrevivido ao ataque e desafiado os EUA, prometendo vitória.

As primeiras bombas a cair sobre Bagdá foram disparadas por navios de guerra americanos, localizados no Mar Vermelho e no Golfo Pérsico. Uma saraivada de 40 mísseis cruzadores Tomahawk guiados por satélite atingiram três alvos perto de Bagdá. Bombardeiros F-117 stealth, invisíveis aos radares, também despejaram bombas “destruidoras de bunkeres” de 90 quilos. O ataque tinha como alvo o próprio Saddam e integrantes de seu círculo, que segundo a Agência Central de Inteligência americana (CIA) estaria numa casa comum nos arredores de Bagdá.

O Iraque contra-atacou em poucas horas, lançando quatro mísseis contra áreas do vizinho Kuwait onde estão tropas aliadas. Uma bateria de mísseis americanos Patriot derrubou dois dos projéteis, identificados como do tipo Scud. Dois outros lançados anteriormente – menores, provavelmente de fabricação chinesa – tinham aterrissado no deserto. Não houve baixas ou danos, mas os soldados receberam ordens de se abrigar em bunkeres subterrâneos e vestir roupas e máscaras de proteção contra ataques com armas químicas e biológicas.

Não houve confirmação imediata de que as ogivas dos mísseis Scud iraquianos estivessem carregadas com armas qúimicas ou biológicas. O ministro da Informação do Iraque, Mohammed Saeed al-Sahaf negou que o Iraque tivesse Scuds. Os mísseis soviéticos têm alcance de mais de 650 quilômetros, o que excede o limite máximo de 150 quilômetros imposto pelo Conselho de Segurança da ONU ao Iraque após a Guerra do Golfo.

Os resultados do ataque em Bagdá não ficaram claros. De acordo com testemunhas, um motorista de táxi jordaniano identificado como Ahmad al-Bath poderia ser o primeiro civil morto nos bombardeiros. Ele teria ido a Bagdá buscar passageiros para levar para a Jordânia. O Iraque disse que os bombardeios tinham matado um civil e deixado vários feridos. Apenas prédios vazios e uma estação de rádio e TV tinham sido atingidas, disse Bagdá.

A TV iraquiana transmitiu um discurso de Saddam imediatamente após o bombardeio. Ele denunciou “Júnior Bush” e prometeu vitória ao povo iraquiano. Não se sabe se o discurso era pré-gravado, mas uma análise preliminar da fita feita pelos EUA concluiu que era realmente o ditador que falava. Bush havia se dirigido à nação do Salão Oval da Casa Branca às 10h15m (0h15m de Brasília), logo depois de as primeiras bombas terem caído sobre Bagdá.

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