21/03/2003 15h13 – Atualizado em 21/03/2003 15h13
BAGDÁ – A coalizão de forças lideradas pelos Estados Unidos deu início às 21h de Brasília desta sexta-feira ao chamado “Dia A” da guerra do Iraque com uma intensa campanha de bombardeios contra Bagdá, detonando alvos na cidade habitada por cinco milhões de pessoas e em ao menos duas outras do norte do país. Imagens de TV mostravam a capital iraquiana iluminada por enormes explosões, labaredas gigantescas e inúmeras baterias de artilharia antiaérea das forças iraquianas.
Centenas de investidas aéreas estariam sendo planejadas, no que o Departamento de Defesa americano vem chamando de estratégia de “choque e pavor” contra o regime de Saddam Hussein. A Casa Branca já anunciara que Bagdá seria alvo do maior ataque já realizado em todos os tempos contra um inimigo americano. De acordo com fontes do Pentágono, mais de três mil bombas poderão ser lançadas contra a cidade durante o megaataque. Segundo funcionários de alto escalão da inteligência americana disseram que há “uma confusão completa” na liderança iraquiana. Eles afirmam que, se Saddam estiver vivo, não controla mais “minuto-a-minuto” as Forças Armadas de seu país ou o governo iraquiano.
As bombas e mísseis pareciam ter atingido prédios e locais críticos para a liderança militar e política do regime de Saddam. O bombardeio ocorreu um dia depois de a capital iraquiana ter sido atingida por mísseis de cruzeiro e bombas. Explosões foram ouvidas também nas cidades de Kirkuk e Mosul, dois grandes centros urbanos ao norte de Bagdá.
A noite caía em Bagdá e os muezzins (líderes religiosos) chamavam com seu canto em mesquitas da cidade os muçulmanos para a reza de sexta-feira (dia santo para o Islã), quando as sirenes antiaéreas começaram a soar. Alguns minutos depois, uma série de megaexplosões sacudiu a cidade.
O fogo da defesa iraquiana diminuía de severidade à medida que o bombardeio avançava. Bagdá foi atacada por uma combinação de mísseis e bombas guiadas a laser ou por satélite, contra centros de comunicação, comando e controle, prédios ministeriais situados na região central da cidade. Estão entre os alvos militares também bases da Guarda Republicana em diversas partes da cidade, além de baterias de mísseis e artilharia antiaérea.
O Iraque se defendeu com uma barreira de fogo antiaéreo, numa tentativa de atingir com algum míssil ou bomba a aviação aliada. Foram disparados mísseis de sua defesa antiaérea, velhos modelos russos das séries SA-2, SA-6 e outros modelos, adquiridos da antiga União Soviética. Os mísseis Tomahawk foram disparados de navios americanos e britânicos localizados no Golfo Pérsico, no Mar Vermelho e no Mediterrâneo. Os bombardeiros invisíveis ao radar stealth B-2 e B-52 podem levar mísseis Tomahawk ou bombas inteligentes.
As luzes em Bagdá continuavam acesas, o que indica que os americanos não estavam, pelo menos por enquanto, mirando a infraestrutura civil da cidade. Os ataques não devem poupar os sistemas de comunicação, rádio e televisão, para impedir que o regime possa se comunicar com seus cidadãos e com suas tropas em outras partes do país.
O megaataque ocorreu depois de um dia marcado por avanços aliados por terra. Forças da coalizão anglo-americana avançaram rapidamente pelo deserto do Iraque, capturando pontos-chave do sul do país no segundo dia da guerra batizada pela Casa Branca de “Operação Liberdade do Iraque”. Um enorme comboio de veículos blindados Bradley e tanques militares do tipo M1A1 Abrams, do 3º Esquadrão do Sétimo Regimento da Cavalaria do Exército americano, avança rumo a Bagdá. De acordo com estimativas, eles deverão chegar por terra à capital americana em três ou quatro dias. Forças americanas já teriam aberto também uma frente de ataque no norte, segundo a emissora CNN. Os alvos do avanço não foram revelados.






