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quinta-feira, 11 de junho de 2026

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26/03/2003 13h44 – Atualizado em 26/03/2003 13h44

No filme, Eminem é um rapper branco de Detroit que tenta mostrar que tem algum talento na cena de hip hop da cidade, dominada por negros. (Isso tudo é verdade) Mas não basta: ele também tem que trabalhar duro numa fábrica. (Isso já é invenção, ele ralou mesmo em um restaurante). E sofre por ter que morar com a mãe alcoólatra num trailer. (Bem, a avó de Eminem garante que sua filha só bebe socialmente!).

Nas duas horas de filme, seu personagem Jimmy Smith Jr., também apelido de Rabbit, terá que vencer e mostrar que tem talento para sair da fábrica e gravar um disco. No meio do caminho, ele ainda esbarra com a pretendente – metade-apaixonada e metade-groupie – Alex, interpretada por Brittany Murphy (com quem, dizem as más línguas, rolou um trelelê durante as filmagens).

Nem é preciso dizer que “8 mile”, apesar de ter sido baseado na vida do rapper, é pra lá de piegas. Basta compará-lo a outros filmes que retratam fatos reais do mundo da música, como o recente “24 hour party people” – que mostra o nascimento da cultura clubber com inteligência e sarcasmo, sendo baseado em filmes reais. Em seu filme, Eminem é apenas um talento incompreendido que ama sua irmãzinha mais nova e o rap, acima de tudo.

Mas para quem curte o gênero, existem alguns bons chamarizes. Por exemplo, as batalhas de freestyle – aquele gênero em que um rapper canta uma letra improvisada e o outro tem que responder, como se fosse um repente. É quando o rapper mostra o que faz melhor. A tradução do filme também é correta, com algumas gírias incluídas – como, claro “mano” – que são usadas sem exagero e que dão veracidade a um filme sobre cultura de rua. E ver o rapper atuando, claro, é um super chamariz. E ele nem é ruim. Pelo menos, fazendo o papel dele mesmo.

Mas quem está mau mesmo na fita é Kim Basinger. A atriz foi escalada para ser a mãe de Eminem – a tal alcoólatra jogadora de bingo que mora num muquifo. E pior: tentando fazer aquele sotaque caipira americano detestável. Basinger não precisava disso. E olha que quem dirige o filme é Curtis Hanson – que a colocou pra lá de glamourosa em “L.A. Confidential”, que lhe rendeu um Oscar como melhor atriz coadjuvante. Sua personagem é tão desclassificada e estereotipada que a avó do rapper, Betty Kresin, saiu em sua defesa. “Minha filha ficou chateada. Sempre manteve seu trailer limpinho”, ponderou vovó Eminem.

Fonte: Globonews.com

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