01/04/2003 08h02 – Atualizado em 01/04/2003 08h02
O prefeito de Campo Grande, André Puccinelli (PMDB), afirmou ontem que o MPE (Ministério Público Estadual) vai acompanhar todo o processo de transformação do lixo produzido na capital em energia. Os estudos para a implantação da usina já foram realizados pela prefeitura. Segundo ele, o envolvimento do MPE vai permitir que o projeto seja implantado sem risco de poluição ambiental. Puccinelli recebeu ontem um grupo de técnicos especializados em coleta e tratamento de lixo da cidade italiana de Torino. A promotora de Meio Ambiente, Marigô Bittar, participou da reunião. Segundo Puccinelli, ela “está convidada a acompanhar todo o processo de licitação e implantação do empreendimento visando garantir o respeito integral à legislação ambiental”. O objetivo da reunião, conforme a assessoria do prefeito, foi iniciar a discussão sobre o potencial energético do lixo coletado em Campo Grande e avaliar a projeto de implantação de uma usina que produza energia elétrica a partir da queima do lixo. De acordo com Puccinelli, os estudos já realizados pela prefeitura indicam a possibilidade de se instalar uma usina com potência geradora de 8 a 14 MW (Megawatts) através da incineração de metade das 500 toneladas de lixo coletadas diariamente na capital. Cidades gêmeas Participaram da reunião o diretor do Setor de Cooperação Internacional de Torino, Catalano Aurélio, e os técnicos da Empresa de Multiserviços e Higiene Ambiental, Marco Guércio e Gerardo Lamesta, responsáveis pelo sistema de coleta, tratamento e destinação final do lixo em Torino, que tem dois milhões de habitantes. A vinda dos técnicos está ligada ao acordo de cooperação de cidades gêmeas, assinado entre a prefeitura de Campo Grande e a Municipalidade de Torino, em 2002. Pelo acordo, André Puccinelli pôde participar, em janeiro passado, do encontro mundial das cidades gêmeas de Torino. Os italianos ofereceram gratuitamente a Campo Grande as suas experiências na destinação final do lixo, inclusive as novas técnicas para acompanhar a nova ordem mundial de proteção ao meio ambiente. Economia Puccinelli afirmou a geração de energia através da queima do lixo pode possibilitar redução de até 10% das despesas do município com iluminação pública e dos prédios próprios. Segundo ele, o município deve atingir até o fim de 2004 o consumo de 6 MW na iluminação pública e de 1 MW nos prédios próprios. A demanda de 7,5 MW poderia ser inteiramente suprida pela usina do lixo e o excedente vendido ao mercado, segundo ele. Conforme o prefeito, considerando que o gasto atual com energia é da ordem de R$ 800 a R$ 1 milhão por mês, a economia mensal poderia chegar a R$ 100 mil.




