02/04/2003 09h26 – Atualizado em 02/04/2003 09h26
Um fato inusitado chamou a atenção da população de Dourados, semana passada. Pela primeira vez, homens foram admitidos para trabalhar em Centros de Educação Infantil, as creches, da Prefeitura. A novidade provocou reação em algumas famílias mais conservadoras. Em uma das creches da periferia da cidade um desses trabalhadores teria sido ameaçado de espancamento por dois pais de crianças, quando deixava o trabalho no final da tarde. Algumas famílias mais conservadoras acham que os homens são mais propensos à pratica de abusos sexuais e por isso não deveriam atuar em creches. “As pessoas precisam se conscientizar de que os tempos são outros. Não há mais separação entre homens e mulheres. Todos tem direitos iguais e são capazes de desempenhar as mesmas funções”, rebate o cozinheiro Valdir Fernando Mariani, 43, um dos homens que estão prestando serviços na Creche Paulo Gabiatti, no Jardim Água Boa. “A reação das pessoas não me preocupa. Tenho que trabalhar e sustentar a minha família. Vou desempenhar com muita garra a minha função”, revela. Valdir é casado e pai de dois filhos. A coordenadora pedagógica e administrativa dos centros Vitório Fedrizzi, Paulo Gabiatti e Pequeno Príncipe, Silvana Regina Teixeira Barros, diz que este tipo de reação ocorre em função dos tabus criados pela sociedade. “O homem está em todo o momento da nossa vida. Ele é pai, é professor. Então porque não pode trabalhar na creche?”, questiona. Segundo ela, a experiência de trabalho com os dois homens nas creches, durante o período de quase um mês, tem sido excelente. O secretário de educação de Dourados, Antônio Leopoldo Van Suypene, disse que os homens que estão assumindo vagas nas creches foram contratados através de concurso público. Eles disputaram vagas com as mulheres. São técnicos de apoio social. Trabalham com recreação ou são cozinheiros ou zeladores. 100 pessoas foram chamadas e estão tomando posse desde o início do mês passado. Dessas, 20 são homens. De maneira geral, o secretário diz que a aceitação dos homens nas creches pelas famílias está sendo boa. “O questionamento é mínimo. As pessoas sabem que não tem como impedir o homem de disputar as vagas nos concursos”, esclarece. Segundo ele, o trabalho na creche é como um outro qualquer e, além disso, é feito em equipe.




