03/04/2003 13h54 – Atualizado em 03/04/2003 13h54
SÃO PAULO – As boas notícias do ambiente doméstico continuaram a gerar números positivos no mercado financeiro nesta quinta-feira. O dólar comercial enfrentou volatilidade, mas fechou a manhã em baixa de 0,27%, cotado a R$ 3,251 na compra e R$ 3,256 na venda. Os juros futuros caíram com força e continuam operando abaixo da taxa Selic, indicando aposta firme na queda da taxa básica de juros da economia nos próximos meses. Na mesma tendência, o risco-país se manteve abaixo dos 1.000 pontos, garantindo o otimismo dos investidores.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) superou a barreira dos 12 mil pontos e fechou a primeira etapa do pregão viva-voz de hoje em alta de 1,63%, com o Índice Bovespa em 12.066 pontos. É a maior pontuação da bolsa desde 14 de janeiro. O volume financeiro às 13h30m era de R$ 321,1 milhões, considerado bom para este horário.
A alta das ações brasileiras reflete principalmente o cenário interno positivo, com os avanços do governo no cenário político e a desaceleração da inflação. Os investidores estão mais animados com as chances de sucesso nas votações das reformas tributária e da Previdência, e nutrem esperanças na queda dos juros da economia.
Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, as maiores altas são de Eletrobrás ON (+9,8%) e Cemig ON (+7,6%). Já as quedas mais significativas do índice sã de VCP PN (-2,8%) e Itaubanco PN (-2,3%). Telemar PN, ação mais negociada da bolsa, tem baixa de 0,16%.
RISCO – Os principais indicadores da confiança dos investidores estrangeiros no Brasil continuam mostrando melhora, informou o Valor Online. Às 12h05m, o Embi+ do país, calculado pelo J.P. Morgan, recuava 0,51% em relação ao fechamento de ontem, para 968 pontos. No mesmo horário, o C-Bond apresentava valorização de 0,28%, sendo negociado nos mercados internacionais a 81,88% de seu valor de face.
CÂMBIO – As boas notícias internas impediram a correção técnica do preço do dólar, que recua pela sexta sessão consecutiva. A moeda americana chegou a subir por mais de uma hora, mas esbarrou no otimismo dos investidores e nos ingressos de recursos. Na mínima do dia, a cotação de venda chegou a R$ 3,252 (-0,39%), a menor desde 17 de setembro.
Como já era esperado, o governo conseguiu aprovar ontem na Câmara a emenda constitucional para a regulamentação do sistema financeiro. A medida, que abre caminho para a autonomia do Banco Central, também sinaliza que é grande o poder de fogo do governo no Congresso para votar as reformas estruturais.
A surpresa positiva do dia ficou com a inflação medida em São Paulo pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe. A taxa de março ficou em 0,67%, bem abaixo do 1,61% registrado em fevereiro. A previsão dos analistas era de uma inflação de até 0,9%.
Diante da desaceleração mais rápida da inflação e da forte queda do dólar, os investidores do mercado futuro reforçaram as apostas na queda da taxa Selic. Nos negócios na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o Depósito Interfinanceiro (DI) de julho está em 26,05% ao ano, contra os 26,50% da Selic vigente. O DI de janeiro de 2004 recua para 25,60% anuais, quase um ponto percentual abaixo da Selic.
A pressão de compra sofrida pelo dólar indicou principalmente o início das discussões sobre o piso ideal para a moeda oscilar. Os exportadores já sinalizam insatisfação com a cotação em torno de R$ 3,20 ou menos, que poderia afetar suas receitas em reais. Graças ao crescimento das exportações, a balança comercial brasileira acumula superávit de mais de US$ 3 bilhões no primeiro trimestre do ano. As seis quedas consecutivas do dólar também sugerem a iminência de uma realização de lucros. Segundo analistas, ela pode acontecer a qualquer momento, já que a volatilidade é essencial para que os ganhos sejam exercidos.
Para o período da tarde, o destaque deve ser o resultado do leilão de contratos de swap cambial que o Banco Central realizou até as 13 horas. A autoridade monetária ofertou até 23.100 contratos de swap, tendo por objetivo a rolagem da dívida pública de aproximadamente US$ 1 bilhão que vence no dia 17. A expectativa do mercado é de que o BC consiga avançar significativamente na rolagem. Um resultado aquém do esperado, no entanto, pode facilitar pressões.





