03/04/2003 08h20 – Atualizado em 03/04/2003 08h20
PARIS — Greves realizadas por funcionários públicos da França, em protesto contra planos para reformar o sistema de pensões, prejudicaram os transportes no país, nesta quinta-feira.
A companhia Air France anunciou ter cancelado 55 por cento de seus vôos domésticos e europeus, mas acrescentou que a paralisação não afetou suas rotas intercontinentais.
Mas autoridades da aviação civil afirmaram que até 80 por cento do tráfego aéreo francês corre o risco de ser afetado pela greve.
Em Paris, algumas linhas do metrô deixaram de funcionar, pela manhã, e os usuários enfrentaram dificuldades e atrasos de várias horas para chegar a seus destinos.
Os serviços do Eurostar – o trem de alta velocidade que liga Paris a Bruxelas e a Londres – funcionaram normalmente pela manhã.
Já os trens domésticos de alta velocidade, conhecidos pela sigla TGV, foram seriamente afetados pela paralisação – em algumas rotas, uma em cada três viagens teve que ser cancelada.
A greve, à qual aderiram controladores do tráfego aéreo, ferroviário e metroviário, professores e burocratas, entre outros setores do funcionalismo público, ocorreu às vésperas do anúncio de planos do governo para reformar o sistema de pensões.
A divulgação dos planos está marcada para o dia 11 de abril, com o primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin defendendo a necessidade de reformas devido ao aumento da população de idosos no país.
Planos similares foram abandonados por um governo conservador, em 1995, em meio a uma série de greves. Dois anos depois, propostas de reforma das pensões contribuíram para a queda do gabinete ministerial.
Pouco depois de chegar ao poder, em 1997, o governo do premier socialista Lionel Jospin prometeu reformar as pensões, mas acabou não levando adiante suas propostas.
Atualmente, os funcionários públicos contribuem por 37 anos e meio para ter direito à aposentadoria.
Raffarin planeja aumentar o tempo de contribuição para 40 anos, como já ocorre no setor privado. A idade mínima para a aposentadoria é de 60 anos.
Líderes sindicais temem que essa seja apenas a primeira medida de um plano mais amplo para levar os trabalhadores a se aposentar mais tarde e a introduzir sistemas privados de pensões, de forma suplementar.
(Com informações da Reuters)



