03/04/2003 14h51 – Atualizado em 03/04/2003 14h51
RIO – A mancha tóxica que desce o Rio Paraíba do Sul em direção ao mar chegou na manhã desta quinta-feira ao município de São João da Barra, que tem cerca de 30 mil habitantes. A mancha está no trecho do Paraíba que corta a região central da cidade, distante quatro quilômetros da foz do rio. As praias de Atafona, Grussaí e Iquipari foram interditadas, num total de dez quilômetros de orla marítima.
Segundo o prefeito Alberto Dauaire Filho, a captação da água do Paraíba foi suspensa ontem à noite e os hospitais e escolas estão sendo abastecidos com caminhões-pipa. O prefeito informou que metade da população do município será prejudicada pelo desastre ecológico (os demais consomem água captada em outras fontes). O prefeito estuda a possibilidade de decretar estado de emergência.
Campos, vizinho de São João da Barra e que está sem abastecimento de água, recebe ajuda de militares do Batalhão de Engenharia do Exército. Eles chegaram à cidade nesta quinta-feira para ajudar a população a conseguir água potável e procurar novos locais de captação. A água será tratada em estações de tratamento móveis usadas em operações militares.
O prefeito da cidade, Arnaldo Vianna, explicou que pediu ajuda ao Exército porque os caminhões-pipa só estão conseguindo atender hospitais e escolas. Ele disse que ainda não decidiu se vai decretar estado de calamidade pública:
- O estado de calamidade já existe, só falta colocar no papel – disse o prefeito.
Os habitantes parecem concordar com o prefeito. O advogado Luís Mário Concebida, morador de Campos há 50 anos, disse que presenciou um quadro dramático às margens do Rio Paraíba do Sul. Segundo ele, o rio está parecendo uma grande vala negra, em conseqüência da poluição provocada pelo vazamento de rejeitos químicos da Cataguazes Papéis. O advogado disse que viu pessoas emocionadas, chorando nas margens do rio:
- A mistura negra toma o rio de ponta a ponta. Há peixes mortos por todos os lados. É possível observar um sentimento de tristeza profunda nos rostos das pessoas que estão nas margens do rio, vendo toda aquela destruição. O Paraíba está parecendo o canal do mangue, no Rio. A poluição por metais pesados é muito mais grave do que a provocada por petróleo. O óleo fica na lâmina ddocument.write Chr(39)água e é fácil retirá-lo.
A governadora Rosinha Matheus viajou para Minas Gerais para tentar soluções mais rápidas contra o vazamento, que, segundo ela, continua, embora em menor proporção. Mais cedo, em visita a Santo Antônio de Pádua, uma das cidades do noroeste fluminense atingidas pelo desastre ecológico, Rosinha criticou o Ibama. Segundo ela, o instituto falha por não obrigar o governo mineiro a conter o vazamento de resíduos químicos e não obrigá-lo também a fazer obras no outro reservatório que ameaça se romper. Rosinha informou ter enviado um fax à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pedindo que a União tome medidas compensatórias para recuperar o meio ambiente da região e diminuir o impacto sobre a população.
Ontem, o presidente da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Mauro Costa, afirmou que o desastre ecológico em Cataguases (MG) pode ser o maior que já aconteceu no Brasil, já que o vazamento no córrego Cágados e nos rios Pomba (em Minas) e Paraíba do Su foi de 1 bilhão e 200 milhões de litros de produtos tóxicos.





