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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Ministro da Saúde do Brasil tranqüiliza população após surgimento de suspeita de SARS

03/04/2003 08h17 – Atualizado em 03/04/2003 08h17

BRASÍLIA — O ministro da Saúde do Brasil, Humberto Costa, convocou uma entrevista coletiva, nesta quarta-feira, para tranqüilizar a população, após o aparecimento de dois casos suspeitos da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS) no país.

No primeiro caso, uma jornalista inglesa, de 42 anos, foi internada com os sintomas da doença em um hospital da cidade e submetida a uma bateria de exames.

A repórter faria a cobertura do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula Um e chegou ao país em um vôo vindo da Malásia com escala em Cingapura, cidade que registrou 92 casos da doença e três mortes.

De acordo com o ministro, os sintomas iniciais apresentados pela jornalista podem significar uma pneumonia comum, bacteriana, tratável com antibióticos.

Mas, por medida de precaução, a jornalista permanecerá hospitalizada por, pelo menos, 10 dias.

Assim como a inglesa, 25 jornalistas que chegaram ao país no mesmo vôo estão sendo monitorados e, até o momento, nenhum apresentou qualquer sintoma da doença.

Outra paciente apresentou sintomas da pneumonia atípica na cidade de Campinas, interior de São Paulo, e foi submetida a exames laboratoriais para confirmar ou não o diagnóstico.

A mulher, de 26 anos de idade, chegou ao Brasil no dia 27 de março, em um vôo vindo do Japão, com escala em Hong Kong.

Porém, a Secretaria da Saúde do estado de São Paulo divulgou um comunicado no qual informava que não há indício da síndrome respiratória aguda em Campinas e a prefeitura da cidade também descartou o caso.

Prevenção

O ministro da Saúde, que apenas comentou o caso da jornalista inglesa e não fez menção ao de Campinas, garantiu que o Brasil está tomando as medidas para evitar a chegada da SARS ao país desde 1º de fevereiro, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) apresentou o primeiro registro da doença.

Aeroportos e portos brasileiros foram orientados a encaminhar passageiros com sintomas da doença, tosse seca, falta de ar, febre acima de 38ºC, fadiga muscular e histórico de contato com paciente já diagnosticado como doente, aos hospitais mais bem equipados de cada região, com o objetivo de evitar a transmissão.

“Ainda que a contaminação se dê pelo ar, é necessário um contato mais íntimo para que a SARS se propague, ou seja, uma aproximação como a dos médicos que tratam dos pacientes com a doença ou da pessoa que viajou de Cingapura ao Brasil ao lado da jornalista inglesa com a suspeita”, disse Costa.

O ministro recomendou ainda que viagens à China, principalmente aquelas que tenham como destino Hong Kong, sejam adiadas, pois o maior número de casos da SARS foi registrado nessa região.

“Para as demais zonas asiáticas, o cuidado pode ser menor, como evitar aglomerações de pessoas e contatos com febris cujo diagnóstico não se conheça”, explicou Costa.

Os dados mais recentes da OMS revelam que foram registrados 1804 casos da doença em todo o mundo, com 62 mortes.

(Com informações da Agência RBS e da Agência Brasil)

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Acompanhe um resumo do que se sabe até agora sobre a Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS, pela sigla em inglês):

  • A doença:

  • Cientistas dizem que a SARS é causada por um novo vírus da família dos coronavírus, que também provoca o resfriado comum.

  • O Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA diz que parece cada vez mais provável que o vírus seja o agente da doença, mas especialistas afirmam que ainda são necessários muitos exames para identificar suas características exatas. O desenvolvimento de uma vacina deve levar muitos anos.

  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) acha que a doença surgiu na província de Guangdong, sul da China, de onde foi levada para Hong Kong. Dali, teria se espalhado para o Vietnã, Cingapura e Canadá. Mais tarde, surgiram casos em outros lugares, como Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Taiwan e Alemanha.

  • Especialistas de Hong Kong descartam a hipótese de que o novo vírus tenha alguma relação com o agente que provoca a gripe influenza dos tipos A e B, ou ainda com o vírus H5N1, que provoca uma gripe em pássaros, mas que desde 1997 já matou seis pessoas em Hong Kong.

  • As pneumonias são causadas por vírus, mas algumas formas atípicas, como a SARS, podem ser provocadas por organismos como a bactéria Legionella. A OMS diz que não há sinais de que a epidemia seja um ato de bioterrorismo.

  • Os sintomas:

  • A OMS diz que os principais sintomas da SARS são febre alta, tosse seca e falta de ar. Radiografias torácicas dos pacientes apontam os mesmos sinais das pneumonias comuns. Outros sintomas associados à SARS são calafrios, dor de cabeça, fraqueza muscular, inapetência, mal-estar, confusão, urticárias e diarréia. Segundo os especialistas, o prazo de incubação é de dois a sete dias, antes que surjam os primeiros sintomas.

  • Perigos:

  • A taxa de mortalidade está entre três e cinco por cento. Pelo menos em Hong Kong, todos os infectados desenvolveram pneumonias graves e que podem matar. O quadro clínico pode se deteriorar rapidamente, às vezes em apenas cinco dias.

  • Tratamentos

Atualmente não há uma cura específica para a doença. Médicos de todo o mundo estão tratando-a com o antiviral ribavirin e com esteróides. Os especialistas dizem que o tratamento precoce e a ausência de outras doenças garantem a recuperação da maioria dos pacientes.

  • O contágio

  • Segundo os especialistas, o contágio ocorre por gotículas de saliva presentes nos espirros e na tosse. Normalmente, a contaminação acontece em um raio de um metro. O vírus também pode se espalhar indiretamente, pois poderia sobreviver até seis horas longe do organismo humano. Assim, gotículas de saliva em um telefone, por exemplo, podem provocar a contaminação. Os especialistas também não descartam a transmissão por via aérea, o que dificultaria bastante o combate a uma epidemia.

  • A OMS diz que a SARS parece ser menos contagiosa que a gripe influenza e ainda menos ameaçadora quando existem medidas preventivas em vigor. As autoridades de Hong Kong dizem que o vírus pode ser eliminado com uma solução de água e água sanitária.

  • Pelo mundo

  • A OMS afirma que a velocidade das viagens atuais pode fazer com que uma doença se espalhe rapidamente pelo planeta. Quando uma pessoa doente viaja, pode transmitir a doença a outros passageiros do mesmo avião ou à população em seu destino. Por isso, os governos da Ásia estão impondo medidas rigorosas para quem desembarca de cerca de seis vôos de lugares considerados mais perigosos.

  • Vulnerabilidade

  • Os especialistas de Hong Kong identificaram grande concentração do vírus em secreções pulmonares quando a vítima já precisa de internação. Por causa disso, profissionais de saúde e parentes das vítimas são mais suscetíveis.

  • Infectados

  • A OMS recomenda que os pacientes sejam colocados em unidades de isolamento. Visitantes, médicos e enfermeiros devem usar máscaras, óculos, avental, toucas e luvas quando entrarem em contato com os pacientes.

  • Viagens

  • A OMS recomendou à população de todo o mundo que evite viagens a Hong Kong e à província chinesa de Guangdong. A organização recomenda aos turistas que se informem sobre os sintomas da SARS. Pessoas com esses sintomas ou que estiveram em contato com vítimas ou que viajaram recentemente a áreas sob epidemia, devem buscar atendimento médico e informar as autoridades. A OMS recomenda também que quem desenvolver os sintomas da pneumonia não deve voltar a viajar até a recuperação total.

(Com informações da Agência RBS)

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