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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Powell à Europa: EUA, e não ONU, devem liderar reconstrução do Iraque

03/04/2003 16h51 – Atualizado em 03/04/2003 16h51

BRUXELAS – Enfrentando a resistência dos aliados europeus, o secretário de Estado americano, Colin Powell, disse que os Estados Unidos, e não as Nações Unidas, devem liderar a reconstrução no Iraque no pós-guerra.

Terminada a nova guerra no Golfo, Washington quer controlar o Iraque, país rico em petróleo, alegando que há risco para a segurança de seus soldados e que gastou bilhões de dólares para montar um novo governo representativo em Bagdá. No entanto, agora a Casa Branca está convidando os aliados a dividir os custos de ajuda humanitária de emergência.

Em Bruxelas para uma série de reuniões com parceiros na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Européia (UE), Powell disse que a ONU deveria ser uma parceira, mas caberia aos EUA e à Grã-Bretanha desempenhar a função de líderes no processo de transição de uma administração civil-militar estrangeira para um governo democrático iraquiano.

  • Definitivamente, haverá um papel para a ONU, mas a exata natureza dessa participação ainda terá que ser determinada – disse Powell, em entrevista coletiva à imprensa no quartel-general da Otan.

Os líderes da UE e da Otan saíram de uma série de reuniões com Powell – as primeiras desde que tropas anglo-americanas invadiram o Iraque, há 15 dias – dizendo que viram a possibilidade de um consenso transatlântico sobre uma atuação em potencial da ONU.

Por sua parte, o chefe da diplomacia americana disse que os membros da Otan estão dispostos a considerar algum tipo envolvimento no pós-guerra do Iraque, se houver necessidade. A Aliança militar poderia enviar tropas de paz ao país após o fim da guerra.

  • Fico feliz que haja ao menos uma atitude receptiva aqui, que a Otan esteja aceitando considerar isso (um papel) – disse Powell.

Uma fonte alemã disse que o aparente consenso pode não ser tão concreto assim, já que os participantes não foram consultados individualmente sobre a idéia.

  • A questão de uma função para a Otan parece mais abstrata e deveria permanecer dessa forma – disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joshcka Fischer, posteriormente.

Principal aliada dos EUA, a Grã-Bretanha insiste na necessidade de se passar o poder para o povo iraquiano, o mais rápido possível. Mas o secretário de Relações Exteriores britânico, Jack Straw, deixou claro que Londres quer que a ONU desempenhe um papel similar ao que teve no Afeganistão, onde organizou a conferência para a escolha do novo de Cabul.

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