04/04/2003 08h16 – Atualizado em 04/04/2003 08h16
A falta de doadores de órgaõs está fazendo com que os transplantes sejam adiados, aumentando cada vez mais a apreensão de quem está travando uma luta contra a morte. Por causa disso, a Santa Casa de Campo Grande não realiza transplantes de coração há cerca de dois anos, apesar de existirem cerca de 10 pessoas na fila de espera. Transplantes de rim vêm acontecendo em ritmo mais acelerado porque as doações são mais fáceis uma vez que o órgão é doado por pessoas vivas, muitas vezes de parentes próximos. As doações de coração são mais difíceis, porque mesmo a família acaba relutando em entregar o órgão, após a morte do doador. Foi o que aconteceu com o comerciante douradense, Celeidino Vieira Fernandes. Ele foi um dos primeiros pacientes transplantados em Mato Grosso do Sul. Quando descobriu que teria que fazer um transplante do coração, a preocupação foi encontrar um doador. Segundo o cardiologista Frederico Somaio Neto, normalmente, a sobrevida de uma pessoa que tem que fazer transplante do coração é de máximo um ano. Como outros pacientes, Celeidino entrou na fila de espera e contava apenas com a compreensão do tempo, pois não sabia se iria sobreviver por muito tempo até aparecer um doador. Enquanto não conseguia doador ele tratava-se da melhor forma indicada pelos médicos. Celeidino lembra que ficou cerca de um ano na fila de espera, quando surgiu um doador compatível. “Nesse meio tempo já sentia muitas dores, fraqueza e ficava muito nervoso”, conta ele. Ele lembra que o doar morreu assassinado em Campo Grande. A família não queria fazer a doação do coração, apesar de Ademilson de Souza, um dia antes de morrer, ter feito a documentação, optando por ser doador de órgãos. “A esposa de Ademilson só aceitou fazer a doação do coração do marido porque no dia anterior ele lhe contou que iria fazer a documentação e optaria em ser doador de órgãos. Mesmo depois de doado a família de seu marido foi contra a decisão da esposa dele”, disse. Celeidino, que agora reside em Campo Grande, fez a cirurgia há quatro anos e até agora não houve rejeição. Ele faz acompanhamento a cada três meses e toma medicamentos contra rejeição diariamente. “O risco de rejeição a gente vai correr para o resto da vida, mas entre morrer ou viver, optei pela segunda opção”, comentou. A Santa Casa de Campo Grande é a única no Estado que realiza transplantes. Os transplantes de coração começaram a ser feitos em 1997 e pelo menos 10 pessoas já passaram pela cirurgia. Para fazer esse tipo de transplante, o cardiologista João Jazbik Neto é a mais conhecida, pois foi preciso formar uma equipe multidisciplinar capaz de realizar uma cirurgia dessa importância. “As cirurgias feitas até agora têm sido um sucesso, a menos que a pessoa venha mais tarde ter rejeição”, disse Frederico Somaio. Além de Celeidino outra pessoa que morava em Itaporã fez o transplante, mas sofreu rejeição e acabou morrendo. Em Campo Grande existe a Central de Transplante que faz a captação de órgãos, mas as doações são deficientes apesar das várias campanhas de conscientização. Segundo o médico coordenador da Clinica do Rim, em Dourados, Luiz Eduardo Ramos, as doações de rim e as cirurgias são feitas somente em Campo Grande. Em Dourados a Clinica de Rim faz um tipo de preparação do futuro transplantado. “Fazemos um trabalho de apoio aos pacientes que são transplantados em Campo Grande”, explicou.
Fonte: Diário MS





