18.1 C
Três Lagoas
sábado, 13 de junho de 2026

Jornalista apresenta fita em que ACM admite grampos

04/04/2003 10h14 – Atualizado em 04/04/2003 10h14

BRASÍLIA (CNN) — Ao prestar depoimento, nesta quinta-feira, ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, que investiga o esquema de escutas telefônicas clandestinas na Bahia, o jornalista Luiz Cláudio Cunha apresentou uma fita em que o senador Antônio Carlos Magalhães (ACM) admite ter encomendado os “grampos”.

O jornalista da revista “IstoÉ” falou durante cinco horas ao Conselho e também reproduziu uma conversa que teve em 30 de janeiro último com o parlamentar do Partido da Frente Liberal (PFL).

“Eu mandei grampear o Geddel”, foi a frase que ACM disse a Cunha, referindo-se a um de seus desafetos na Bahia, o deputado federal Geddel Vieira Lima, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Cunha explicou que ACM fez a confissão no meio de uma conversa sobre esquemas de corrupção envolvendo políticos e outras autoridades públicas.

Na ocasião, ACM deixou claro ao jornalista que, “para todos os efeitos”, ele (o senador) não tinha nada a ver com o caso dos grampos, mesmo porque não haveria como provar seu envolvimento.

Cunha também contou ter recebido, de ACM, um volume de 170 páginas contendo um resumo do conteúdo de degravações das conversas obtidas por meio das escutas telefônicas. O documento foi distribuído aos senadores do Conselho.

Após o depoimento de Cunha, o Conselho de Ética decidiu convidar ACM para depor em data a ser definida de acordo com as conveniências do senador, que poderá apresentar sua defesa oralmente ou por escrito.

Dias após a conversa em que ACM confessou informalmente ter mandado “grampear” Geddel, Cunha foi instruído por sua chefia na “IstoÉ” a tentar gravar uma nova confissão do senador.

O jornalista, então, telefonou em 6 de fevereiro a ACM, que, por fim, mencionou o caso da escuta.

Na fita, ACM disse que não autorizava a publicação do material, reconhecendo, de acordo com Cunha, a ilicitude da instalação dos grampos.

Os membros do Conselho ouviram a fita, cuja autenticidade foi atestada pelo perito Ricardo Molina, da Universidade de Campinas (Unicamp), “sem indícios de montagem ou de edições”.

“Acima de qualquer dúvida razoável, a voz é do senador Antonio Carlos Magalhães”, afirmou o perito.

Além de Geddel Vieira Lima, ACM é suspeito de ser o mandante de grampos telefônicos em mais de 200 linhas na Bahia.

A acusação mais grave de escuta telefônica, supostamente comandada por ACM, e que rendeu reportagens de capa dos principais jornais e revistas brasileiros, são de uma ex-namorada, Adriana Barreto, e do marido dela, o advogado Plácido Faria.

Com informações da Agência Senado

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.