07/04/2003 11h15 – Atualizado em 07/04/2003 11h15
UMM QASR, Iraque — Gasolina, cigarros, uma ducha ou um pouco de comida fresca. Tudo é negociável em tempos de guerra e o preço acompanha o ritmo de uma inflação marcada pela miséria e pelo necessidade de sobrevivência.
“Por 600 dólares, faço jornalistas entrarem no Iraque em meu automóvel; tenho contatos, é garantido”, diz Peejay, que não revela sua nacionalidade e ganha a vida organizando visitas de 24 horas ao Iraque para jornalistas que não conseguiram entrar no Iraque devido aos rígidos controles na fronteira como Kuwait.
“Vocês podem trabalhar durante o dia, dormimos em barracas à noite e, no dia seguinte, voltamos para o Kuwait”.
Seu carro, uma picape coberta de barro, “para passar mais despercebido”, segundo ele, já fez 10 viagens de ida e volta ao Iraque desde o início da guerra e espera continuar no mesmo ritmo nas próximas semanas.
Já no único posto de gasolina de Umm Qasr, a guerra também é uma oportunidade para se ganhar algo mais.
“Normalmente, o litro custa um dólar”, explica um dos funcionários do posto. “Mas, para estrangeiros, o preço é de cinco”.
Além da gasolina, o dono do posto oferece um estacionamento onde vários carros podem passar a noite tranqüilamente.
No fundo, há um banheiro em situação precária, onde um chuveiro puxa água através de um gerador.
A diária do improvisado hotel custa 40 dólares, que é o salário médio mensal de um iraquiano que trabalha no porto da cidade.
Três semanas após o início da guerra, praticamente ninguém no sul do Iraque aceita os dinares com a figura de Saddam Hussein e as mercadorias devem ser pagas com dólares até nos mercados e feiras de Umm Qasr.
“Três quilos de tomate, dois dólares; duas dúzias de ovos, quatro dólares”, diz um vendedor, disposto também a sacrificar uma ovelha por 100 dólares.
A guerra também multiplicou as possibilidades de trabalho para os iraquianos ou kuwaitianos que falam inglês e podem servir de tradutores para militares e jornalistas.
As tarifas oscilam entre 150 dólares por dia para os kuwaitianos profissionais que ousam atravessar a temida fronteira com uma equipe jornalística, fazendo-se passar por marroquino ou libanês, ou 50 dólares para iraquianos que estréiam na profissão.
Alguns mais sortudos têm um contrato com o Exército britânico ou norte-americano para atuar como mediadores com as famílias dos prisioneiros de guerra, com os próprios detidos, com os trabalhadores do porto contratados pelos marinheiros ou com os cidadãos que levam doentes para os hospitais militares.
“document.write Chr(39)Misterdocument.write Chr(39), por cinco dólares faço um arroz, por 10 ponho um pouquinho de frango”, anuncia uma senhora iraquiana, suja e mal vestida, aos ocupantes de um carro estrangeiro que entra em Umm Qasr.






