07/04/2003 14h19 – Atualizado em 07/04/2003 14h19
VITÓRIA – Um enorme esquema de corrupção em licitações feitas por prefeituras de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo será denunciado esta semana pelo Ministério Público Federal. Pelo menos 13 empresas fantasmas foram identificadas pelo Grupo de Repressão de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Espírito Santo.
Vinte e duas pessoas, entre empresários, políticos e autoridades, serão indiciadas por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, remessa ilegal de dinheiro para o exterior, corrupção ativa e passiva, crime contra o patrimônio público e formação de quadrilha.
O subprocurador-geral da República, José Roberto Santoro, chega ao estado esta semana para preparar, juntamente com o procurador-chefe do Ministério Público estadual, José Maria Rodrigues, as denúncias que serão protocoladas em Minas Gerias, Espírito Santo, Rio de Janeiro e, provavelmente, também em São Paulo.
As investigações no Espírito Santo começaram em São Mateus, no norte do estado. Nos endereços apontados nos processos licitatórios como as sedes das empresas, os procuradores encontraram residências, salas comerciais vazias e até mesmo um terreno baldio usado para pastagem de animais, que havia sido identificado como o escritório central da empresa Eurovit Comercial, vencedora de uma licitação na prefeitura de São Mateus em abril de 2000. A mesma empresa prestou serviço à Secretaria Estadual de Trabalho e Ação Social, quando a titular era a então primeira-dama do estado, Maria Helena Ruy Ferreira.
Na época, o prefeito de São Mateus, Rui Baromeu (PMDB), disse que não era responsável pela fiscalização das empresas que participavam das licitações e que todas as mercadorias compradas tinham sido entregues à prefeitura.
Em uma das licitações, as empresas ACB Comércio Atacadista, com sede no Espírito Santo, e Daihatsy Comércio e Representações, do Rio, apresentaram propostas idênticas, inclusive com o mesmo erro de português: a palavra compensado apareceu escrita com ç. Para o promotor Evaldo Martinelli, isso poderia ser um indício de que o processo foi realizado com cartas marcadas.
Segundo Martinelli, o esquema era controlado pelo empresário Cláudio Aurélio, um dos sócios da Marval Comércio e Serviços Ltda, empresa supostamente envolvida num esquema de corrupção, denunciado primeiramente na prefeitura de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, mas que também ocorreu nos demais estados da Região Sudeste.
A atuação do crime organizado no Espírito Santo vai além de fraudes contra o patrimônio público. Envolveu até execuções sumárias. O advogado Marcelo Denadai, que ameaçara revelar nomes de pessoas que estariam à frente do esquema de fraudes em licitações, foi assassinado no dia 15 de abril de 2002, em Vila Velha, na Grande Vitória.





