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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Britânicos buscam apoio de iraquianos com envio de comida

08/04/2003 17h17 – Atualizado em 08/04/2003 17h17

O navio da esquadra real britânica Sir Percival atracou nesta segunda-feira no porto de Umm Qasr, no sul do Iraque, com cerca de 300 toneladas de alimentos para encher o estômago e conquistar “corações e mentes” de iraquianos em tempos de guerra.

O comandante do navio sabe que a quantidade de alimentos que está trazendo é “uma gota no oceano” em comparação com as necessidades do país, que antes do conflito recebia mais de 14 mil toneladas por dia de suprimentos dentro do programa Petróleo por Comida, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Mas o capitão Peter Famer espera que a chegada de sua embarcação – veterana da Guerra das Malvinas – ao porto abra caminho para novas remessas.

“Espero que a chegada sem problemas de Sir Percival a Umm Qasr mostre que o porto está seguro e dê a confiança para que outras nações mandem navios com suprimentos para cá.”

Trabalhadores iraquianos

Além dos 220 marinheiros britânicos que trabalham no porto, os militares recrutaram outros 150 iraquianos na cidade para trabalhar na operação das instalações e no descarregamento do material.

“Encontramos trabalhadores muito qualificados aqui e pretendemos continuar o recrutamento à medida em que mais navios forem chegando”, explica Paul Ash, tenente-coronel da Marinha Real Britânica designado para comandar o porto ocupado.

O militar admite que há o risco de que partidários de Saddam Hussein estejam entre os moradores de Umm Qasr que estão trabalhando ao lado dos marinheiros.

“Mas nós fazemos uma análise demorada de cada candidato e não podemos esquecer a importância da população local para nos ajudar a diferenciar as boas e as más pessoas”, disse o militar.

Confiança

As conversas com alguns dos iraquianos que estavam trabalhando no descarregamento do navio Sir Percival mostram que este também é um bom modo de conquistar confiança e apoio.

O mais graduado destes funcionários, o supervisor Osama Khader, disse que se sente seguro com a presença das tropas ocidentais na cidade.

Khader quer que os militares britânicos e americanos deixem o Iraque, “mas não agora”.

“Eles têm antes de acabar com o regime e matar todos os que apóiam Saddam Hussein”, diz ele, para depois afirmar que não tem mais medo do presidente iraquiano.

Mas Khader é enfático ao dizer que depois da guerra e de um curto período de transição, a administração do país deve ser entregue a seus compatriotas.

“Todos os iraquianos, juntos, têm te trabalhar para trazer a felicidade para este país”, diz este muçulmano, xiita como cerca de 85% da população local.

Distribuição

Quase toda a carga trazida pelo Sir Percival é de arroz, combinada com uma pequena quantidade de chá.

“Sendo um navio britânico, o chá não poderia faltar”, diz o capitão Farmer.

O navio não traz água, mas segundo Farmer, vai descarregar um equipamento de purificação de água ainda sem destino definido.

Segundo o tenente-coronel Paul Ash, o destino da comida também ainda tem de ser decidido.

“Esta é uma ajuda de emergência, que vai ser enviada agora para depósitos e depois enviada para resolver crises onde houver mais urgência”, diz.

Crianças

Antes do Sir Percival, o navio Sir Galahad já havia atracado duas vezes em Umm Qasr, trazendo também cerca de 300 toneladas de ajuda humanitária em cada viagem.

E ajuda humanitária é algo que interessa muito nesta região.

À medida em que cruza a cidade, o grupo de jornalistas é circulado por crianças que gritam as poucas palavras em inglês que aprenderam – mister, water, food e money – para pedir água, comida e dinheiro.

Alguns jornalistas dão sanduíches e dólares ou dinares kuwatianos, apesar da placa instalada pelos militares britânicos e americanos na entrada da cidade que instrui: “Risco de acidentes. Por favor, não alimente as crianças”.

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