11/04/2003 09h11 – Atualizado em 11/04/2003 09h11
A dívida da prefeitura de Dourados com a empresa Prodados “está bem paga” na opinião do secretário municipal de Governo, Wilson Biasotto. Segundo ele, em 2000 a empresa recebeu , na administração Braz Melo, R$ 560 mil (uma entrada de R$ 400 mil mais duas parcelas de R$ 80 mil). Ele considera “inadmissível” o valor de R$ 10 milhões cobrado pela empresa através de dois precatórios. Biasotto disse ontem ao Diário MS que o prefeito Laerte Tetila (PT) não se nega a pagar a dívida, mas não aceita o valor cobrado pela Prodados. A dívida originou da prestação de serviços da empresa para a administração de Luiz Antônio Gonçalves (1983-1988) e o primeiro ano da primeira administração de Braz Melo (1989-1992). Conforme o secretário, Tetila vai encaminhar representação ao MPE (Ministério Público Estadual) pedindo que o precatório seja investigado. Entretanto, não soube informar se existe meio legal de reverter o processo. A dívida já foi reconhecida até pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). “Estamos pagando o precatório da rodoviária (dívida da construção do terminal rodoviário). Mas essa dívida da Prodados é uma sangria aos cofres públicos”, afirmou. Referindo-se ao valor da dívida a “números astronômicos”, Biasotto disse que a administração quer comparar o cálculo usado pela empresa a outros parâmetros da economia. “Quanto era essa dívida em dólar quando houve a prestação do serviço? A cobrança correspondia à época a quantos gramas de ouro? Acho que são dois parâmetros bem interessantes para analisarmos esse valor astronômico que está sendo apresentado”, declarou o secretário. INTERVENÇÃO Wilson Biasotto afirmou que a prefeitura vai “fazer de tudo” para evitar o pagamento da dívida no valor cobrado atualmente. “Se depender da atual administração, não vamos pagar esse precatório nunca”. Embora afirme acreditar ser “difícil” a intervenção estadual no município para garantir o pagamento da dívida, o secretário avalia que essa medida seria “uma grande injustiça”. “Não é o Tetila que terá de pagar o precatório milionário. É a população de Dourados. Se houver intervenção, o prefeito será retirado do poder pelo tempo necessário para o pagamento da dívida”, explicou. “Queremos pagar, mas um valor justo”. Biasotto elogiou a posição de vereadores, inclusive de oposição de defender o recalculo da dívida com a Prodados. Na quarta-feira, a detentora do crédito, Maria Cláudia Chicarino, enviou carta ao Diário MS acusando Tetila de mentir para a população sobre o precatório. Ela disse que o prefeito tenta apenas ganhar tempo com a “cruzada contra a dívida”, a qual chamou de “calote”. Biasotto disse que a mentira não é da natureza de Tetila e que o prefeito quer apenas esclarecer a população sobre o precatório milionário que poderá ser obrigado a pagar.




