15/04/2003 08h39 – Atualizado em 15/04/2003 08h39
ATLANTA, EUA — Depois de decifrar o código genético do que acreditam ser o vírus causador da pneumonia atípica, autoridades da Saúde dos Estados Unidos disseram que o processo deixou perguntas sem resposta e os cientistas terão que continuar a investigar a doença à moda antiga.
A dra. Julie Gerberding, chefe do Centro para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, previu um processo árduo e minucioso para rastrear a raiz da síndrome respiratória aguda, conhecida pela sigla em inglês SARS.
Desde o final do ano passado, a doença já atingiu pelo menos 3.169 pessoas, em cerca de 20 países, e causou a morte de 144, em sua maioria no sul da China e em Hong Kong.
Nos Estados Unidos há 193 casos suspeitos, sem o registro de mortes.
“No curto prazo, eu não acredito que a seqüência genética nos dirá de onde veio” o vírus, disse Gerberding. “O seqüenciamento do vírus é um grande feito científico, sem precedentes na história da ciência. Mas não há mágica para lidar com a SARS”.
No fim da semana passada, pesquisadores canadenses publicaram a seqüência genética completa do novo tipo de coronavírus que estaria por trás da doença.
Autoridades do CDC divulgaram seu próprio seqüenciamento do código genético do vírus na segunda-feira.
Mas esse processo não forneceu respostas às dúvidas sobre a SARS. Os cientistas querem saber, por exemplo, se a doença veio de animais.
“Não há provas contundentes”, disse o dr. Mark Denison, um especialista em coronavírus do hospital da Vanderbilt University. “Podem ser necessários estudos muito específicos, com um amplo grupo de pesquisadores, para ver se eles conseguem descobrir um animal infectado pelo vírus”.
Para encontrar a origem da SARS, autoridades da Saúde terão que analisar os primeiros casos da doença – provavelmente na província chinesa de Guangdong – e perguntar aos pacientes onde estiveram e o que fizeram antes de ficar doentes.
Agora, no segundo mês em que vêm lidando com a SARS, as autoridades da Saúde de várias partes do mundo estão tentando reduzir a propagação da doença pela Ásia, especialmente em Hong Kong, na China continental e em Cingapura.
Gerberding alertou as autoridades da Saúde para não tirar conclusões apressadas dos níveis pequenos de transmissão nos Estados Unidos e em outros países.
“Temos que ficar muito atentos, porque basta um único paciente com alto grau de contaminação para infectar um número muito grande de pessoas”, disse.
Referindo-se ao seqüenciamento do gene, Gerberding disse que os dados ajudarão a obter diagnósticos mais acurados, além de aumentar a possibilidade de que seja encontrado um remédio ou uma vacina para atacar o vírus, mas isso poderia levar semanas ou meses, em alguns casos.
Denison disse que uma análise inicial da seqüência do vírus pareceu revelar que o novo coronavírus tem similaridades com as três variedades de vírus conhecidas que são responsáveis por quase um terço de todos os resfriados.
Essas similaridades – o modo como vírus copia a si próprio, cria sua própria proteína ou células – poderiam ser exploradas, completou.
(Com informações da Associated Press)





