16/04/2003 15h32 – Atualizado em 16/04/2003 15h32
O prefeito de Nova York, Michel Bloomberg, apresentou nesta quarta-feira duas versões para o orçamento da cidade para o próximo ano.
Qual delas será colocada em prática vai depender do sucesso do prefeito em conseguir cobrar um imposto dos moradores de outras cidades que trabalham em Nova York.
Se o imposto for cobrado, a cidade terá uma receita extra de US$ 1,4 bilhão por ano e terá que reduzir suas despesas em US$ 600 milhões.
Se o imposto não for aprovado, o cenário apocalíptico de Bloomberg prevê a demissão de 10 mil funcionários públicos, o fechamento de dois dos quatro zoológicos da cidade, a desativação de 40 postos de bombeiros e uma forte redução dos gastos com educação, saneamento básico e policiamento.
Crise
No pior cenário, praticamente todos as atividades extra-escolares devem ser canceladas, e críticos dizem que serviços como a coleta de entulhos devem ser negligenciados.
O desaquecimento da economia global, junto com o aumento dos gastos públicos do município, deixaram Nova York na sua pior crise financeira desde os anos 70.
A idéia de cobrar impostos de pessoas que apenas trabalham em Nova York não é nova, mas é polêmica.
Mas, mesmo que seja aprovada, a cobrança do imposto só vai arrecadar uma parte dos recursos necessários.
O Estado de Nova York também está vivendo um momento difícil, com um déficit de US$ 11,5 bilhões no orçamento, e reluta em comprometer uma parte maior das receitas estaduais com a cidade.
Bloomberg está tentando garantir ainda o apoio dos sindicatos para cortes menos drásticos.
Randi Weingarten, representantes dos professores da cidade, disse que já ofereceu uma proposta de corte de US$ 300 milhões, metade da proposta do prefeito.
Bloomberg, porém, diz que a redução efetiva nos gastos, nessa proposta, seria de apenas US$ 20 milhões.
Urgência
O prefeito precisa de uma solução urgente.
O ano fiscal de 2004 começa em julho deste ano, e a cidade precisa solucionar um déficit de US$ 3,8 bilhões.
A única margem para lidar com o problema é a emissão de uma dívida de US$ 500 milhões em papéis de curto prazo, a última parcela do total de US$ 2 bilhões autorizado pelo governo depois dos atentados ao World Trade Center, em setembro de 2001.
Bloomberg reluta em usar essa opção porque diz que afetaria a classificação de risco – e os outros papéis já no mercado – da cidade.
De acordo com estimativas, Nova York já perdeu 223 mil empregos desde o fim de 2000, principalmente por causa da contração de 16% no nível de emprego de Wall Street, o distrito financeiro da cidade.




