23/04/2003 14h50 – Atualizado em 23/04/2003 14h50
O índio guató Anísio Guilherme Fonseca fez um discurso emocionado no final da manhã, na audiência pública da Assembléia Legislativa. Chorando, ele falou sobre a depredação do rio Taquari (os guató são conhecidos como índios canoeiros) e pediu condições de vida aos indígenas. “Queremos de volta a terra com o sapé”, disse, afirmando que as benfeitorias em imóveis não é o que eles querem.
Ele falou longamente sobre a preocupação com o futuro dos guatós, citando que são apenas cerca de 550 índios e menos de 20 falam o idioma. Eles vivem na aldeia Uberaba, na ilha Insua, a mais de 40 horas de viagem de barco pelo rio Paraguai, a partir de Corumbá. Fonseca citou uma situação especial, cerca de 20 pessoas de uma família moram em uma outra área, na aldeia Cará Cará, perto da divisa com Mato Grosso.
“Queremos garantia de sobrevivência. Não queremos ser cadáveres ambulantes”.
Ele pediu ainda que seja feito um trabalho pedagógico para que o idioma seja preservado.
Outro momento de destaque foi a entrega de um documento em nome dos terena pedindo a demarcação da aldeia Buriti. Arnaldo Gabriel, de 99 anos, entregou cópia do documento ao deputado Pedro Kemp (PT), organizador da audiência, ao presidente da Funai e ao assessor do ministro da Justiça, Cláudio Beirão. Ele disse que é uma luta que já dura 70 anos.
A audiência prossegue nesta tarde.




