28/04/2003 16h33 – Atualizado em 28/04/2003 16h33
LONDRES — O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, declarou nesta segunda-feira que não há dúvida de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa, e previu que surgiriam provas disso e vinculando o ex-presidente iraquiano a grupos terroristas.
Falando durante sua entrevista mensal, Blair disse a jornalistas que as forças da coalizão haviam listado cerca de 1.000 locais no Iraque que devem ser investigados, em busca de arsenais banidos, mas salientou que a prioridade era reconstruir o país.
“Não há dúvidas de que o Iraque possui armas de destruição em massa”, insistiu. “Ninguém contesta isso. Continuo confiante de que serão encontradas”.
Os supostos programas iraquianos de armas químicas, biológicas e nucleares foram a principal justificativa para a campanha militar liderada pelos Estados Unidos.
Mas as forças iraquianas não usaram esses supostos arsenais contra as tropas da coalizão, e nenhuma arma banida surgiu até agora, o que levou os críticos a argumentar que não havia necessidade para uma guerra.
Cooperação com EUA
Ainda nesta segunda-feira, em entrevista ao jornal Financial Times, Blair disse que a Europa e os Estados Unidos deveriam atuar como “um único pólo de poder” para enfrentar os problemas mundiais em lugar de ficar divergindo, como ocorreu com relação ao Iraque.
Segundo o premier, a melhor forma de evitar que os Estados Unidos ajam unilateralmente é unir-se a eles.
“Não quero ver surgir novamente uma situação na qual a Europa ou a América tem um grande interesse estratégico em jogo e nós não nos ajudamos mutuamente”, disse Blair, no que o jornal descreveu como uma advertência ao presidente da França, Jacques Chirac.
“Alguns querem um mundo multipolar onde temos diferentes centros de poder, que acredito que se transformariam rapidamente em centros rivais de poder”, observou.
“E outros acreditam, e essa é minha opinião, que precisamos de um pólo de poder que abranja uma parceria estratégica entre Europa e América”, acrescentou.
“Aqueles que temem o document.write Chr(39)unilateralismodocument.write Chr(39) norte-americano deveriam reconhecer que a forma mais rápida de provocá-lo é estabelecer um pólo de poder rival à América”, completou.
Antes do lançamento da guerra contra o Iraque, a França ameaçou vetar uma nova resolução das Nações Unidas autorizando o uso da força para desarmar o país.
Já a Grã-Bretanha apoiou vigorosamente os Estados Unidos, sendo um aliado crucial dos norte-americanos na deposição de Saddam.
Coréia do Norte precisa de uma saída
O primeiro-ministro também mencionou o impasse entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte em torno do suposto programa de armas nucleares de Pyongyang.
“Não são apenas os Estados Unidos e a Grã-Bretanha que consideram que armas nucleares nas mãos da Coréia do Norte sejam uma ameaça”, ressaltou. “Acredito que a China e a Coréia do Sul diriam o mesmo”.
“A questão é como lidar com o problema. Penso que temos que oferecer à Coréia do Norte uma saída de sua atual situação”.
(Com informações da Associated Press e Reuters)



