28/04/2003 07h59 – Atualizado em 28/04/2003 07h59
BUENOS AIRES — Pela primeira vez na história da Argentina, os eleitores escolherão um presidente no segundo turno, em que se enfrentarão, no dia 18 de maio, dois candidatos peronistas – o ex-chefe de Estado Carlos Menem e o governador da província de Santa Cruz, Néstor Kirchner.
Porta-vozes do governo informaram que, com 94,55 por cento das urnas apuradas, Menem aparece com 24,02 por cento e Kirchner, com 21,99 por cento.
Ainda de acordo com os dados oficiais, o economista liberal Ricardo López Murphy está em terceiro lugar, com 16,59 por cento, e a centro-esquerdista Elisa Carrió segue em quarto, com 14,35 por cento.
De acordo com a legislação eleitoral, os candidatos só podem vencer no primeiro turno se conseguirem 45 por cento dos votos ou mais de 40 por cento, mas com uma diferença de no mínimo 10 pontos em relação ao segundo colocado.
Um porta-voz do governo, Alfredo Atanasof, declarou que o índice de comparecimento às urnas foi de aproximadamente 80 por cento, superior ao que era esperado.
Disputa entre peronistas
O segundo turno entre Menem e Kirchner será uma reedição da acirrada disputa política entre o ex-presidente e o atual chefe de Estado, Eduardo Duhalde, que deu todo o seu apoio ao governador de Santa Cruz.
Essa rivalidade nasceu quando Duhalde acusou Menem de ter sabotado sua campanha presidencial, em 1999.
Caso Menem vença o pleito, ele será o segundo político argentino a conquistar um terceiro mandato, depois de Juan Domingo Perón, o fundador do movimento ao qual pertence o ex-presidente e também Kirchner.
Todas as pesquisas de opinião pública realizadas durante a campanha mostraram que Menem seria derrotado no segundo turno, seja quem for seu adversário – e isso devido a um alto índice de rejeição a Menem entre os eleitores independentes.
Menem é o preferido dos investidores. Mas, Kirchner anunciou que manteria Roberto Lavagna à frente do Ministério da Economia – um sinal de continuidade –, o que foi bem recebido pelos mercados.
O futuro presidente terá a árdua tarefa de tirar o pior de sua pior crise econômica, política e social, que deixou mais da metade da população vivendo em condições miseráveis.
O chefe de Estado terá, também, que renegociar uma gigantesca dívida pública de 60 bilhões de dólares, depois da cessação de pagamentos declarada em 2001.
Incidentes isolados
Minutos depois do encerramento da votação, no início da noite de domingo, o ministro do Interior, Jorge Matkin, disse que o “ato eleitoral foi altamente participativo e transparente”.
O dia foi marcado por incidentes isolados e insultos de eleitores a alguns candidatos e políticos, no momento em que votavam.
O maior susto foi do ex-presidente Fernando de la Rúa, que teve de votar, em uma escola do centro de Buenos Aires, cerca de dezenas de policiais, enquanto uma multidão ameaçava linchá-lo.
De la Rúa renunciou ao cargo em dezembro de 2001, em meio a uma grande revolta popular alimentada pela crise econômica.
López Murphy também recebeu uma saraivada de insultos, por parte de membros de partidos de esquerda.
Vários candidatos denunciaram algumas irregularidades, mas nenhum falou em fraude.
(Com informações da Reuters e da Associated Press)





