29/04/2003 08h07 – Atualizado em 29/04/2003 08h07
RAMALLAH, Cisjordânia — O Comitê Central do movimento Fatah, do presidente da Autoridade Palestina Yasser Arafat, anunciou nesta segunda-feira seu apoio ao Gabinete proposto pelo primeiro-ministro nomeado, Mahmoud Abbas, aumentando suas chances de ser aprovado pelo Parlamento palestino.
Se o Gabinete for aprovado na terça-feira, os palestinos terão honrado as condições impostas por Washington para voltar a mediar a paz, promovendo o plano elaborado pelo “Quarteto” – um grupo composto pelos Estados Unidos, Rússia, Nações Unidas e União Européia.
Tal projeto de paz prevê a criação de um Estado palestino até 2005.
A formação do Gabinete palestino foi precedida por forte disputa entre Abbas e Arafat, que ainda reluta em compartilhar o poder.
Na semana passada, após intensa pressão internacional, os dois chegaram a um acordo, mas Arafat continua a exercer considerável influência na Autoridade Palestina devido a seu controle sobre o Fatah, que detém uma sólida maioria no Parlamento.
Em entrevista publicada nesta segunda-feira no jornal israelense Maariv, Arafat sugeriu que pretende continuar atuante.
“Eu sou o presidente eleito do povo palestino”, ressaltou. “Pretendo receber muitos líderes que virão a Ramallah para encontrar-se comigo nas próximas semanas, e espero que seja possível reiniciar as negociações de paz em breve”.
Os palestinos declararam que apoiarão o plano de paz incondicionalmente, mas Israel solicitou alterações, como a inclusão de uma cláusula expliciando a necessidade de um fim a todos os atos de violência.
Apesar de as perspectivas do plano continuarem incertas, o apoio a Abbas e seu Gabinete foi um passo crucial.
A composição de seu ministério já suscitou muitas críticas, com alguns legisladores reclamando que Abbas nomeou vários políticos acusados de corrupção e não honrou as expectativas de efetuar uma ampla reforma.
O movimento Fatah e seus aliados possuem 62 das 85 cadeiras do Parlamento.
A legislatura, eleita em 1996, tinha inicialmente 88 membros, mas dois morreram e um renunciou.
Na votação de terça-feira, Abbas precisará do apoio de pelo menos 43 legisladores.
(Com informações da Associated Press)




