02/05/2003 09h44 – Atualizado em 02/05/2003 09h44
SÃO PAULO – O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse nesta quinta-feira que o Congresso Nacional funcionará como um novo espaço de repactuação das reformas tributária e previdenciária. Em sua avaliação, haverá uma oposição natural do PSDB e do PFL, mas, segundo ele, os integrantes dos dois partidos serão procurados para negociar.
- Agora que as reformas foram encaminhadas, o Congresso é que vai funcionar como um novo espaço de repactuação. As reformas não são um desejo do governo, mas uma necessidade. É claro que os partidos de oposição vão apresentar emendas, mas estamos prontos para negociar – disse Dirceu.
Ao comentar a oposição da ala radical do PT a pontos polêmicos das reformas, o ministro afirmou que será adotado um caminho democrático para negociar com os dissidentes. Ressaltou, porém, que eles terão que seguir a posição do PT.
- Uma vez decidido no diretório, todos têm de acatar o caminho que será seguido por todos do partido – afirmou Dirceu, que participou, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da missa pelo Dia do Trabalho, na Igreja Matriz de São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
Também presente à missa, senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse acreditar que o Senado deverá votar as emendas às reformas até setembro. Segundo Suplicy, o presidente conseguiu um feito notável, ao contar com o apoio de todos os governadores. A tributação dos inativos, segundo o senador, é o tema mais polêmico da reforma previdenciária:
- Acho que podemos estudar a fundo essa questão e chegar a um consenso – afirmou Suplicy.
Já o presidente do PT, José Genoino, reafirmou que a executiva nacional do partido vai discutir, em reunião no próximo dia 12, punições aos que têm criticado o governo. Ele evitou falar em expulsão dos rebeldes, mas defendeu a saída espontânea dos insatisfeitos.
- O coerente seria que a pessoa que hostiliza o PT seguisse outro rumo. O ideal seria fazer uma separação amigável, mas eles querem sangrar o partido – disse Genoino.
O dirigente petista afirmou que a executiva vai analisar o casos dos deputados federais Lindberg Farias (RJ), João Babá (PA) e Luciana Genro (RS) e da senadora Heloísa Helena (AL) e encaminhará a decisão sobre uma possível punição ao diretório nacional, com reunião marcada para junho. Genoino demonstrou irritação, com Lindberg e Heloísa, que no fim de semana passado encontraram-se com o presidente do PDT, Leonel Brizola, para discutir atos de oposição às reformas.
- Os parlamentares do PT podem divergir. O que não pode é uma senadora e um deputado fazerem articulação política contra o PT. Quando um de nós resolve entrar na Justiça contra a família é porque não quer mais viver naquela família. Com um partido político é assim também e, se alguém (do PT) entra na Justiça contra o PT, é guerra – afirmou Genoino.
O presidente do PT cobrou coerência dos rebeldes, ao lembrar o caso da deputada federal Luiza Erundina (PSB), que deixou espontaneamente o PT, após a campanha eleitoral de 1996, por desentendimentos com a cúpula petista.
- Ela é minha amiga e demonstrou caráter. Não hostilizou o PT e chegou a um ponto que disse: vou sair. O Vitor Buaiz (ex-governador do Espírito Santo) também saiu assim – relembrou Genoino.





