02/05/2003 07h44 – Atualizado em 02/05/2003 07h44
NOVA DÉLHI (CNN) — Indicando um relaxamento na tensão entre os dois vizinhos dotados de capacidade nuclear, o primeiro-ministro da Índia, Atal Bihari Vajpayee, anunciou ao Parlamento, nesta sexta-feira, que restabelecerá os laços diplomáticos com o Paquistão e reabrirá a ligação aérea entre os dois países.
“Decidimos indicar um alto comissário no Paquistão, para restaurar as ligações aéreas civis”, disse.
“Estamos comprometidos com a melhoria das relações com o Paquistão e queremos aproveitar cada oportunidade de fazê-lo”, acrescentou.
Em Islamabad, o ministro da Informação paquistanês, xeque Rashid Ahmed, respondeu positivamente à iniciativa indiana.
“Apreciamos esta decisão”, declarou. “É um bom gesto. É um bom começo”.
Fontes diplomáticas na região disseram à CNN esperar que Islamabad anuncie uma decisão recíproca, possivelmente ainda nesta sexta-feira. “É um bom passo na direção correta visando à normalização das relações”, completaram.
O desdobramento rápido no quadro diplomático aconteceu poucos dias após o primeiro-ministro do Paquistão, Mir Zafarullah Jamali, ter telefonado a Vajpayee para dizer que estava pronto para se empenhar na solução de todas as questões pendentes entre os dois países.
O telefonema foi o primeiro contato direto entre os líderes de Índia em Paquistão em 18 meses.
A quebra do impasse antecede a uma visita que o subsecretário de Estado norte-americano Richard Armitage fará à região, em junho, para lançar uma nova rodada de esforços diplomáticos objetivando a redução das tensões entre os vizinhos e rivais.
As relações com Islamabad foram cortadas no ano passado, deixando os dois países à beira de uma guerra em meio ao agravamento da crise na província da Caxemira, desencadeada por um ataque ao Parlamento indiano, atribuído a militantes ligados ao Paquistão.
A disputa pela Caxemira tem sido o ponto central da tensão bilateral.
No mês passado, Vajpayee anunciou sua disposição em manter negociações com o Paquistão a respeito da província himalaia, com a condição de que Islamabad detivesse o que o premier chamou de “infiltração através da fronteira”.
“Estamos prontos para discutir todos os assuntos, inclusive a Caxemira”, afirmou Ahmed, o ministro da Informação paquistanês, nesta sexta-feira.
A Índia acusa o Paquistão de fornecer armas, treinar e incentivar a militância na parte da Caxemira controlada por Nova Délhi.
Mais de 30 mil pessoas já morreram na província desde o início de um movimento separatista, em 1989.
O Paquistão rejeita as acuações e insiste que dá apenas apoio moral e diplomático à reivindicação do povo da Caxemira pelo direito à autonomia.
A Índia controla dois terços da região e o Paquistão, o restante. A Caxemira já motivou duas das três guerras travadas entre ambos desde a independência em relação à Grã-Bretanha, em 1947.




