05/05/2003 16h14 – Atualizado em 05/05/2003 16h14
RIO – A estudante Luciana Gonçalves Novaes, de 19 anos, baleada esta manhã dentro do campus da Universidade Estácio de Sá, durante um tiroteio entre policiais e traficantes do Morro do Turano, no Rio Comprido, corre o risco de ficar tetraplégica. Segundo o diretor médico do Hospital Casa de Portugal, onde Luciana foi atendida, a bala perfurou a mandíbula esquerda da estudante e se alojou entre a segunda e terceira vértebras da coluna. No início da tarde, a estudante foi transferida para o Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, onde está sendo operada.
Os pais da jovem, José Almir e Helena, além da irmã, estão no hospital aguardando o término da cirurgia que deve levar oito horas, segundo a equipe médica do dr.José Augusto Nasser.
Luciana foi atingida por volta das 9h40m, no pátio da universidade. Segundo moradores do morro, os traficantes do local tinham proibido o funcionamento do comércio e da faculdade nesta segunda-feira em represália à morte de um homem – o traficante Adriano Paulino Martins Mirano, conhecido como “Sapinho” – durante uma operação policial ocorrida na sexta-feira à noite. Como a universidade descumpriu a ordem, traficantes dispararam contra o seu pátio. A direção da universidade, no entanto, diz que não foi informada sobre o toque de recolher.
Após o incidente, policiais fortemente armados passaram a proteger a porta da Estácio de Sá. O comandante da PM, coronel Renato Hotz, também foi para o local e conversou com testemunhas. O secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, determinou a ocupação imediata do Morro do Turano por policiais do 1º BPM (Estácio) e 6º BPM (Tijuca). Carros e helicópteros da polícia foram para o local, guardam as entradas da favela e revistam casas. Câmeras estão sendo usadas para registrar a movimentação de moradores e possíveis suspeitos.
Garotinho afirmou que a polícia vai continuar ocupando o morro até encontrar os responsáveis pelo tiro que atingiu Luciana. O secretário classificou como repugnante a ação dos bandidos e pediu a ajuda dos comerciantes para que não fechem as portas de seus estabelecimentos e que ajudem a polícia a encontrar os criminosos.
A faculdade fechou suas portas e o clima ficou tumultuado durante toda a manhã, com alunos e funcionários deixando o local às pressas. Luciana, que cursa o primeiro período de enfermagem, foi socorrida pelos colegas e levada imediatamente para o Hospital Casa de Saúde de Portugal, que fica logo em frente à universidade. O funcionário da instituição Marcelo Araújo Matos, de 24 anos, que atingido por estilhaços de bala, atendido no mesmo hospital, já foi liberado e está em casa.






