05/05/2003 08h10 – Atualizado em 05/05/2003 08h10
MADRID (CNN) — O papa João Paulo II canonizou neste domingo cinco espanhóis durante uma missa ao ar livre, que atraiu cerca de um milhão de pessoas à Plaza Colon, no centro de Madrid, de acordo com a Conferência Episcopal da Igreja Católica, na Espanha.
Durante a missa, que se estendeu por quase três horas, o pontífice canonizou os padres Pedro Poveda Castroverde e José María Rubio y Peralta, a freira Genoveva Torres Morales, e Angela de la Cruz e María Maravillas de Jesús. Todos viveram no século 20.
“Que esses maravilhosos exemplos os inspirem”, disse o papa, após citar os nomes dos santos.
Um outdoor próximo reforçava sua mensagem, proclamando: “Você também pode ser um santo”.
Com as cinco canonizações deste domingo, João Paulo II já elevou a santas um total de 470 pessoas – mais que os 299 santos declarados por todos os papas anteriores, desde 1588.
Na sua quinta visita à Espanha, o pontífice chegou ao Aeroporto de Barrajos, em Madrid, no sábado, sendo recebido pelo chefe de governo, José María Aznar, o rei Juan Carlos e a rainha Sofia.
Essa é sua nonagésima nona viagem ao exterior em quase 25 anos de pontificado.
O papa levou uma mensagem de paz ao país, um dos mais leais aliados da guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque — à qual João Paulo II se opôs.
“Meu desejo é que todos tenham a paz que apenas Deus, através de Jesus Cristo, pode dar”, disse o pontífice em espanhol, no aeroporto. “Paz que é o fruto da justiça, da verdade, do amor, da solidariedade, a paz que as pessoas podem usufruir quando observam a lei de Deus, a paz que faz as pessoas se sentirem como irmãos”.
O papa exortou a Espanha e outros países europeus que resgatem suas raízes cristãs.
“Tenho certeza de que a Espanha levará a rica herança histórica e cultural de suas raízes católicas e seus valores para a integração de uma Europa que respeita a identidade de seus Estados membros dentro da estrutura de pluralidade de suas culturas”, afirmou.
Como em outros países tradicionalmente católicos da Europa, há na Espanha um abismo entre a fé e a prática. Mais de nove em cada 10 espanhóis se dizem católicos, mas menos de dois em cada 10 vão à missa regularmente.
Nos 20 anos em que João Paulo II realizou suas quatro visitas anteriores ao país, a Espanha passou por grandes transformações, e a Igreja vem lutando para se adaptar a uma sociedade em que a religião não exerce mais um lugar central.
“Por muitos anos em países católicos, nós éramos confiantes demais”, declarou Araceli Cantero, da comissão organizadora da visita papal. “Nós tínhamos as escolas da igreja. A sociedade, a cultura, tudo era católico. As estruturas eram católicas. Agora, a igreja tem que aprender um caminho diferente”.
Como o pontífice, a grande maioria da população da Espanha opõe-se à guerra no Iraque, o que poderia favorecer a igreja.
“O papa uniu-se muito bem aos jovens com sua posição em relação à guerra”, disse o padre Manuel Barrios, de Madrid. “Cerca de 90 por cento dos jovens (espanhóis) eram contra a guerra com o Iraque”.
Durante seu pronunciamento no aeroporto, João Paulo II disse que tinha “total confiança” de que a juventude espanhola continuaria fiel à fé católica quando chegasse a posições de liderança.
E enfatizou que o crescimento do país deve estar amarrado a “valores autênticos e permanentes que visam ao bem de cada pessoa, desde o primeiro momento de sua existência”.




