06/05/2003 07h44 – Atualizado em 06/05/2003 07h44
Por volta de 1h30m, o traficante Fernandinho Beira-Mar entrou, encapuzado, no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo – o mesmo em que ele esteve por 29 dias em março e abril. Beira-Mar chegou num helicóptero da Polícia Federal, escoltado por um forte esquema de segurança. Sua transferência de Alagoas, onde ficou por 39 dias na sede da Polícia Federal em Maceió, começou às 15h e foi cercada de sigilo.
O traficante se submeterá ao mesmo rigor que marcou sua primeira estada em Presidente Bernardes: dez dias sem banho de sol nem visita de advogados e 30 dias sem visita de familiares.
Durante todo o dia, a Polícia Federal não quis confirmar que o destino final de Beira-Mar seria a cidade paulista, mas a grande movimentação de policiais e helicópteros na região no fim da noite não deixou dúvidas sobre a transferência.
Quando Beira-Mar foi transferido do Rio para Presidente Bernardes, em março, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), havia dito que ficaria com o traficante no estado apenas durante um mês, até que o governo federal arrumasse um presídio federal para abrigá-lo. No 29º dia, no entanto, Beira-Mar foi transferido para Maceió.
Beira-Mar completaria nesta terça-feira 40 dias de prisão em Maceió, prazo estipulado em acordo entre o Ministério da Justiça e o governo de Alagoas para permanência do preso no estado.
O presidente do Sindicato dos Policiais Federais de Alagoas, Jorge Venerando, voltou a protestar nesta segunda contra o custo das operações da Polícia Federal com o traficante: “este preso esta causando um prejuízo mensal de R$ 400 mil aos cofres da união”, afirmou Venerando.
Antes de ser transferido, Beira-Mar foi levado para a Clínica Jaraguá, que fica em frente à superintendência da PF. Ele fez um tratamento de uma hora e 50 minutos com os dentistas Marcelo Costa, Francisco de Mello Rocha e Cristiano da Cruz Corrêa. Segundo os dentistas, o traficante sofre desde quinta-feira da síndrome da articulação tempro-mandibular (ATM), uma disfunção provocada por estresse. O traficante disse que estava tenso porque sabia que seria transferido a qualquer momento. O que estava deixando-o nervoso, segundo os dentistas, era não saber para onde iria.





